Moradores da avenida Primeiro de Maio, em Brusque, voltaram a enfrentar alagamentos intensos durante as chuvas de fim de ano, mesmo após mais de dois anos de obras de macrodrenagem em andamento no local. As cenas registradas nesta semana mostram ruas completamente tomadas pela água, veículos com dificuldade para passar e transtornos que se repetem justamente no período de Réveillon, reforçando a sensação de uma obra que parece não ter fim.
Iniciadas em junho de 2023, as obras têm como objetivo reduzir os impactos das cheias em uma das regiões historicamente mais afetadas por enxurradas na cidade. No entanto, passados mais de dois anos, os trabalhos seguem longe da conclusão. A previsão atual da prefeitura aponta o término apenas para o primeiro semestre de 2026.
De acordo com a Secretaria de Infraestrutura Estratégica de Brusque, cerca de 64% da obra foi executada na etapa conhecida como Tunnel Liner, método considerado menos invasivo, que permite escavações subterrâneas e a instalação de estruturas sem a necessidade de abrir toda a via na superfície. Já a execução das galerias de concreto, fase que exige a retirada do asfalto e gera maior impacto visual e no trânsito, está com aproximadamente 29% de execução.
Atualmente, os trabalhos estão concentrados no trecho entre a Dokassa e o Senai. A próxima etapa prevê o avanço das obras em direção à curva de acesso à rua José Wanka, conforme a liberação dos trechos. Mesmo assim, moradores relatam que, na prática, o escoamento da água ainda não apresentou melhora significativa, situação que ficou evidente durante os alagamentos registrados nesta semana.
A administração municipal atribui os atrasos a problemas técnicos não previstos, relacionados à complexidade do solo da região, como a presença de rochas, material argiloso instável e interferências em redes subterrâneas já existentes. Para acompanhar o andamento dos serviços, um engenheiro civil foi designado para elaborar relatórios técnicos que devem embasar o planejamento das próximas etapas da obra.
Durante o período das festas de fim de ano, os trabalhos foram interrompidos no dia 23 de dezembro, com retorno previsto para 2 de janeiro. A partir dessa data, a avenida Primeiro de Maio deverá ficar totalmente interditada até 31 de janeiro. Segundo a prefeitura, a decisão busca aproveitar o período de férias escolares para acelerar a execução das obras, reduzindo o impacto no deslocamento de estudantes.
Em um dos trechos da via, entre o Senai e a rua Gustavo Halfpap, foi realizada recentemente a perfilagem da pista e a aplicação de uma camada provisória de asfalto. Segundo o prefeito André Vechi, as galerias subterrâneas já estão concluídas nesse ponto. A medida, de acordo com a prefeitura, foi adotada para reduzir a poeira, melhorar as condições de tráfego e aumentar a segurança de moradores e comerciantes da região.
O próprio prefeito destacou que a solução é temporária e que a pavimentação definitiva só será executada após a conclusão total da drenagem. Até lá, a população segue convivendo com obras, interdições frequentes e alagamentos recorrentes.
Nas redes sociais, moradores demonstram revolta com a situação, questionam o tempo de execução e criticam o fato de que, mesmo com investimentos elevados, a avenida Primeiro de Maio continua ficando debaixo d’água sempre que há chuva mais intensa. Para quem vive ou trabalha na região, a expectativa de uma solução definitiva parece cada vez mais distante.

