Pretinha, a cadela que ficou conhecida como a companheira inseparável do cão comunitário Orelha, já tem um novo destino definido. A adoção foi confirmada pela médica veterinária Fernanda Oliveira, responsável pelo tratamento, e pelo empresário Bruno Ducatti, que assumiu oficialmente a tutela do animal.
Segundo relato feito ao ND Mais, Bruno Ducatti ainda não conheceu Pretinha pessoalmente. De acordo com ele, neste momento, toda a atenção está concentrada na recuperação clínica da cadela, que enfrenta um quadro grave de insuficiência renal. “Vi que os moradores estavam vendendo canecas para bancar o tratamento e falei: pode deixar que eu banco”, afirmou.
O empresário também confirmou à reportagem que o estado de saúde da cadela é delicado e instável. Conforme disse, um grupo de cinco veterinários acompanha o caso, e os custos médicos já ultrapassaram R$ 17 mil. Nesta quarta-feira (4), Pretinha passou pela terceira sessão de hemodiálise, após ter recebido uma transfusão de sangue na terça-feira (3).

Ducatti atua na área de tecnologia, mora em São Paulo e possui apartamento em Florianópolis, cidade que frequenta com regularidade. Ele contou ao ND Mais que tomou conhecimento da situação de Pretinha pelas redes sociais. Atualmente, já é tutor de um cão e um gato. Antes da adoção formal, seu nome já havia sido citado em publicações da Petlove, empresa que arcou com 100% dos custos veterinários iniciais da cadela.
O quadro clínico de Pretinha segue preocupante. Na semana passada, Fernanda Oliveira explicou que exames apontaram insuficiência renal crônica associada a hemoparasitose. “O quadro continua crítico, com prognóstico reservado e cerca de 40% de chance de recuperação”, afirmou a veterinária à reportagem.
Ainda conforme Fernanda, durante a primeira internação houve redução nos níveis de creatinina, mas a ureia permaneceu elevada, o que indica comprometimento persistente da função renal. Após um período em lar temporário, Pretinha precisou retornar à clínica para receber suporte intensivo 24 horas por dia.
A história da cadela se cruza diretamente com a de Orelha, cão comunitário que vivia na Praia Brava. A moradora Carolina Bechelli Zylan, que cuidava dos dois animais, destacou o vínculo entre eles. “O Orelha era um cachorro alfa e andava na frente para proteger a Preta. Eu digo que a morte dele serviu para salvá-la, porque fez com que ela fosse recolhida e que esse problema de saúde fosse descoberto”, relatou.
Segundo Carolina, os dois cães eram inseparáveis. Ela contou ainda que Pretinha já demonstrava sinais de dor antes de ser recolhida e que agora enfrenta não apenas a doença, mas também a perda da liberdade e do companheiro de anos.
A adoção oficial encerra um capítulo de incerteza, mas o tratamento segue em curso. O futuro de Pretinha ainda depende da resposta clínica nas próximas semanas, conforme acompanhamento veterinário.
Com NDMais.

