O novo reitor eleito da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Amir Antônio Martins de Oliveira Júnior, defendeu em entrevista a atuação da Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC) no campus universitário. Em declarações à Jovem Pan News Florianópolis, o professor titular do curso de Engenharia Mecânica afirmou que a corporação é “fundamental” no enfrentamento de questões de segurança e que a nova gestão quer construir uma relação de parceria com as forças de segurança pública.
A posição marca uma mudança drástica em relação à postura adotada pela Reitoria nos últimos anos, período em que a gestão priorizou pesquisas críticas à atuação policial e manteve resistência à presença permanente da PMSC dentro da universidade. Em maio de 2025, duas estudantes foram vítimas de um roubo à mão armada nas proximidades da saída pela Carvoeira, uma das áreas mais movimentadas do campus. Uma delas foi derrubada com uma rasteira, teve uma arma apontada para a cabeça e ouviu de um dos criminosos a frase “vai morrer, vagabunda” antes de ter a bolsa levada.
Chapa “Mudar para Transformar” vence com 55,40% dos votos
A chapa “Mudar para Transformar”, encabeçada por Amir e pela vice-reitora eleita Felipa Rafaela Amadigi, venceu o segundo turno da consulta informal realizada em 15 de abril de 2026, com 55,40% dos votos ponderados. A chapa derrotou a candidatura “UFSC Unida”, do atual reitor Irineu Manoel de Souza, que obteve 44,60%. A nova gestão vai comandar a universidade entre 2026 e 2030.
Na entrevista, Amir destacou que a Polícia Militar é o organismo capacitado e treinado para atuar em ocorrências de segurança. “Ela é fundamental no enfrentamento de qualquer questão relacionada a segurança. Se tivermos uma ocorrência, precisamos da Polícia Militar. Ela é o organismo capacitado, treinado para essas ações”, afirmou o reitor eleito.
Fim da narrativa de “polícia repressora”
O novo comandante da UFSC defendeu o conceito de campus aberto, com liberdade de deslocamento para a comunidade, mas rejeitou de forma direta a visão de que a atuação policial representaria repressão, posição que vinha sendo sustentada por setores da militância estudantil e da gestão anterior.
Essa ideia antiga de que a polícia vem numa atitude repressora não é uma ideia que se sustenta mais. O que nós queremos é uma visão de segurança em que você atua nos pontos críticos, nos momentos críticos.
Amir também sinalizou disposição para ampliar o diálogo com diferentes órgãos de segurança pública e reforçou o interesse em firmar parceria institucional. “A Polícia Militar é um grande parceiro, nós queremos ser parceiros da Polícia Militar, assim como da Guarda Municipal, assim como do Corpo de Bombeiros, de todos os órgãos de segurança”, afirmou o reitor eleito.
Segundo o novo reitor, a universidade tem capacidade de oferecer contrapartidas às forças de segurança, citando projetos da UFSC que trabalham com capacitação no enfrentamento ao crime organizado em nível nacional. “Nós entendemos uma via de mão dupla, onde nós podemos contribuir, devemos contribuir, e a sociedade também atuando próximo da gente”, completou.
Estudantes eram vítimas de crimes enquanto Reitoria atacava a polícia
A mudança de discurso ocorre em um contexto marcado por sucessivos registros de crimes dentro e no entorno do campus, incluindo assaltos, furtos e abordagens com arma de fogo contra estudantes. Nos últimos anos, a Reitoria da UFSC foi alvo de críticas por manter distanciamento institucional da PMSC e defender que a segurança no campus fosse feita exclusivamente por vigilantes contratados, sem policiamento ostensivo.
O assalto à mão armada contra as duas estudantes em maio de 2025 ocorreu poucos dias depois de a UFSC ter divulgado um relatório acadêmico em parceria com a Udesc apresentando visão crítica à atuação das forças de segurança em Florianópolis. A pesquisa, conduzida entre 2021 e 2024, retratou a polícia como símbolo de opressão estatal, sem contextualizar a presença de facções criminosas, o tráfico de drogas ou os confrontos armados enfrentados pelos agentes.
Próximos passos até a nomeação
A formação da lista tríplice pelo Conselho Universitário está marcada para 29 de abril de 2026. O envio das listas ao Ministério da Educação está previsto para 1º de maio, quando o presidente da República será responsável por nomear oficialmente o novo reitor para o quadriênio 2026-2030.

