Jornalista da UFSC recebe R$ 19 mil em home office e ataca bolsonaristas nas redes: ‘faccionados milicianos’

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Enquanto alunos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) enfrentam cortes de segurança, falta de estrutura e incerteza sobre o futuro, uma servidora pública com cargo técnico-administrativo, lotada na área de comunicação institucional, utiliza o horário de trabalho para militância ideológica nas redes sociais e até para participar de transmissões ao vivo com ataques a políticas públicas estaduais.

Trata-se de Amanda Souza de Miranda, jornalista vinculada à Coordenadoria de Divulgação e Jornalismo Científico da UFSC, que atua em regime de home office parcial com jornada reduzida de 25 horas semanais. Mesmo assim, em julho de 2025, Amanda recebeu R$ 19.458,62 líquidos, segundo dados oficiais do Portal da Transparência. Nos meses anteriores, os valores também chamam atenção: foram R$ 13.203,21 líquidos em junho e R$ 10.974,84 em maio.

Assim como os vencimentos crescentes, também aumenta diariamente a sua militância pró-esquerda: ela tem usado o tempo de expediente, que deveria ser dedicado exclusivamente às demandas institucionais da universidade federal, para atacar o Governo de Santa Catarina e deputados catarinenses.

Segunda-feira, 21 de julho de 2025

De acordo com o cronograma funcional da UFSC, Amanda Miranda estava escalada para teletrabalho das 7h30 às 12h30. No entanto, às 07h45 da manhã, ela publicou em seu perfil pessoal no X (antigo Twitter) uma postagem com o vídeo intitulado “Universidade NADA Gratuita”, crítica direta ao programa Universidade Gratuita, política pública implementada pelo governo de Santa Catarina sob a gestão do governador Jorginho Mello (PL).

A publicação tem viés ideológico claro, com ataques ao programa e elogios à militância de esquerda, e foi feita já dentro do horário oficial de trabalho da servidora, segundo dados registrados no sistema da universidade.

Sexta-feira, 25 de julho de 2025

Na sexta-feira da mesma semana, conforme o registro funcional da UFSC, Amanda deveria cumprir teletrabalho das 7h30 às 12h30. Porém, entre 08h30 e 10h40 da manhã, ela participou ao vivo de uma live transmitida pelo canal Portal Desacato, com o mesmo tema da postagem anterior: ataques ao programa Universidade Gratuita.

A transmissão foi conduzida pelo programa JTT Debates, com forte viés político e linguagem militante. Amanda aparece como convidada principal da mesa, interagindo com apresentadores, opinando e fazendo críticas diretas ao governador de Santa Catarina e à proposta de acesso ao ensino superior financiado pelo estado.

Não há qualquer indício de que essa atividade tenha relação com as funções que Amanda desempenha na UFSC. Ao contrário, trata-se de uma atividade externa, de natureza política, realizada integralmente durante o expediente oficial da servidora pública federal.

O contraste com a realidade dos estudantes

Enquanto Amanda dedica tempo de expediente à militância política e atua de casa com carga horária reduzida, os estudantes da UFSC enfrentam cortes no número de vigilantes, iluminação precária e sensação constante de insegurança, especialmente nos centros de ensino localizados no bairro Córrego Grande, em Florianópolis.

Alunos relataram que o número de seguranças foi reduzido durante o período de férias, sem aviso prévio. Um abaixo-assinado pedindo a reversão da medida foi entregue à reitoria. Relatos dão conta de tentativas de assalto à luz do dia e de locais com túneis escuros e sem monitoramento.

Apesar da gravidade do problema, não há registros públicos de que Amanda tenha utilizado suas redes sociais — que usa ativamente para militância política — para dar visibilidade às demandas reais dos estudantes da universidade que a remunera.

O escândalo vai além. Militante ideológica assumida, Amanda ataca diariamente cidadãos que se identificam à direita política, criticando a Lava Jato, a Polícia e qualquer voz conservadora. Nas redes, chamou os apoiadores de Bolsonaro de “faccionados milicianos” e exalta Alexandre de Moraes como um “gigante” — o mesmo Moraes que ela atacava anos atrás, quando dizia não aceitar sua nomeação ao STF.

Anos depois, passou a exaltar o ministro como um “gigante” e símbolo de resistência democrática, adaptando seu discurso à narrativa petista vigente.

Aliás, nem o próprio Supremo escapou da Amanda: em 2016, ela acusava os ministros de serem “golpistas”. Mas bastou o STF se alinhar à narrativa petista para ela virar fã. De “golpistas” a heróis da democracia. Tudo depende do lado em que o tribunal estiver.

Mais recentemente, ela atacou diretamente os apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, chamando-os de “faccionados milicianos” em postagem pública.

Resposta da servidora

Ao tomar ciência das denúncias, ela publicou: “Quero dizer que esse dossiê muito me orgulha. Sou servidora pública aprovada em primeiro lugar numa prova com mais de 300 inscritos. Exerço meu ativismo nos meus horários livres e com base em informação e apurações rigorosas.

Para finalizar: não vou interromper o que faço, mas toda a qualquer tentativa de intimidação ao meu trabalho será encaminhada formalmente a entidades de proteção a jornalistas e aos meus advogados.

Sei que, no limite, querem que eu tema pelo meu bem estar físico e mental e desista. Não vai acontecer. Estou bem, sou amparada por muita gente e não é uma milícia sem rosto e sem CPF que vai me impedir de trabalhar pela democracia e pelo direito à informação”.

Direito de resposta

Amanda afirma que há informações falsas na reportagem e que os dados divulgados poderiam ser facilmente verificados por registros públicos. Ela contesta a interpretação de que um plano de trabalho seria equivalente a uma folha de ponto e nega ter participado de uma live para criticar o governo durante seu expediente.

“O ponto da servidora, que tem jornada de trabalho de cinco horas por dia, indica que no dia 21 de julho ela trabalhou das 09h05 às 12h e das 13h às 15h45. Já no dia 25, a jornada foi das 09h45 às 12h21 e das 13h16 às 15h41. O horário foi dedicado exclusivamente às atividades na UFSC”, disse.

Ela considera que o conteúdo publicado é “mentiroso e calunioso” e alega que os dados apresentados geraram ataques contra sua pessoa.

Nas redes sociais, Amanda publicou que quem fizer acusações sobre sua atuação profissional terá de provar, e mostrou um recorte da reportagem com a marcação “FALSO”, acompanhado de seu registro de ponto no dia citado.

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