A instalação de câmeras nos banheiros do Colégio Cruz e Souza, a maior escola de Tijucas, gerou discussões na comunidade escolar. A medida, segundo a direção, foi adotada como uma tentativa de coibir o uso de cigarros eletrônicos dentro da unidade.
A diretora Vanessa Kruscinscki Hames esclarece que, apesar da repercussão, as câmeras nunca chegaram a ser ativadas. De acordo com ela, o objetivo era apenas inibir práticas inadequadas, já que alguns alunos estariam utilizando os banheiros para consumir cigarros eletrônicos, conhecidos como “pods” ou “vapers”.
“Infelizmente, essa situação não acontece só aqui, mas em escolas de todo o país. Temos cerca de 1.900 alunos, e nem sempre é possível estar em todos os espaços ao mesmo tempo”, explicou.
Segundo a direção, a iniciativa era simbólica e estratégica, já que os alunos não sabiam que as câmeras não estavam gravando. A proposta, segundo a escola, era fazer com que a simples presença dos equipamentos servisse como um fator inibidor.

Apesar dos desafios, a direção reforça que nenhuma ocorrência grave foi registrada dentro da unidade desde o início da atual gestão, que foi responsável, inclusive, pela modernização da segurança do educandário. O Colégio Cruz e Souza possui cerca de 20 câmeras nas áreas externas, que, segundo a gestão, colaboram para o bom andamento das atividades.
“Temos uma escola com quase 2 mil alunos, e felizmente conseguimos manter um ambiente seguro, diferente de outras unidades, inclusive menores, que enfrentam situações bem mais delicadas”, destacou Vanessa.
Participação dos pais é apontada como fundamental
Durante a entrevista, a diretora também destacou a baixa participação dos pais na vida escolar dos filhos. No dia 13 de março de 2025, a escola promoveu uma reunião aberta à comunidade escolar, amplamente divulgada nos canais oficiais da instituição. Poucos responsáveis compareceram.
“É um trabalho conjunto. A escola tem seu papel, mas os pais também precisam acompanhar de perto a rotina dos filhos. Será que todos sabem se os filhos estão realmente preparados para uma avaliação? Se estão trazendo os materiais certos? Ou até se estão levando algo que não deveriam para o ambiente escolar?”, questionou.
Após repercussão, escola adota transparência e retira equipamentos
A direção reforçou que a instalação das câmeras foi uma medida pensada apenas para coibir os alunos, que não sabiam que os equipamentos não estavam gravando. No entanto, após a polêmica repercussão, alguns pais procuraram a escola em busca de esclarecimentos.
Diante disso, a gestão informou que, prezando pela transparência e pelo diálogo com a comunidade escolar, decidiu retirar as câmeras que eram, na prática, apenas simbólicas e sem funcionamento.
A situação continua gerando opiniões divergentes. Parte da comunidade entende que a escola tentou agir dentro de uma estratégia de prevenção.
“Sofri muito bullying na escola e nunca consegui provar. Acho que isso poderia ter me ajudado muito na época”, comentou uma ex-aluna.
Por outro lado, alguns acreditam que, mesmo sem funcionamento, o posicionamento das câmeras não seria a melhor solução.
“Acho desnecessário dentro do banheiro. Na porta, tudo bem, mas lá dentro não faz sentido. Poderiam colocar alguém para fiscalizar presencialmente”, opinou um morador.
A escola reforça que o foco sempre foi garantir um ambiente seguro e disciplinado, sem ultrapassar os limites da privacidade. Contudo, o episódio abriu um debate mais amplo sobre os desafios da fiscalização escolar, e, principalmente, o papel da família no acompanhamento da vida dos estudantes.
O Jornal Razão segue acompanhando o caso.

