Uma criança de oito anos sofreu queimaduras nos pés após participar de uma aula de Educação Física descalça em um campo de grama sintética, no bairro Cobre, em Canelinha. O caso gerou forte preocupação na família, que procurou a direção da escola e relatou ao Jornal Razão uma sequência de episódios envolvendo o professor responsável pela turma.
A mãe afirma que, ao longo do ano, o filho vinha demonstrando desconforto com as aulas. Em relato ao Jornal Razão, ela conta que o menino passou a chegar em casa triste, dizendo que preferia ficar na sala copiando textos a participar das atividades físicas. A mudança repentina chamou a atenção dos pais.
Segundo ela, o primeiro alerta ocorreu quando o filho contou que a turma foi proibida de encher as garrafinhas de água durante a aula de Educação Física. A mãe entrou em contato com o professor por mensagem e afirma que ele confirmou ter impedido os alunos de beber água como forma de punição. Para ela, a situação foi preocupante, por envolver uma necessidade básica.
Em outro episódio, a mãe relata que o filho e outras crianças disseram ter presenciado o professor gritar, bater na mesa e afirmar que não aguentava mais lecionar para aquela turma. Ela tentou conversar pessoalmente com o educador, mas afirma que a situação saiu do controle. Segundo seu relato, ele se exaltou, elevou o tom de voz e tentou direcionar perguntas diretamente ao aluno, que estava visivelmente nervoso e intimidado. A mãe disse ter insistido para que ele se dirigisse apenas a ela durante a conversa.
O caso mais grave ocorreu em um dia de forte calor, durante uma atividade realizada no campo sintético do Moa. De acordo com a mãe, o professor pediu que todos os alunos retirassem os tênis para jogar bola, mesmo aqueles que estavam com calçados adequados. O menino relatou que chegou a perguntar ao professor se poderia continuar de tênis por conta da dor causada pelo piso quente. A resposta, segundo a mãe, teria sido que ele não era “diferente dos outros”.
O menino continuou jogando apenas com uma meia, mas não suportou a dor e colocou o tênis novamente. Ao chegar em casa, estava mancando e chorando. A mãe conta que, ao retirar a meia do filho, encontrou bolhas e áreas de queimadura na sola dos pés. Ela e o marido retornaram imediatamente à escola para relatar o ocorrido à direção.

A mãe diz que buscou orientação no Conselho Tutelar, que recomendou aguardar as medidas adotadas pela escola e, caso não houvesse encaminhamento, retornar ao órgão. O casal afirma que, temendo novos episódios, optou por solicitar a troca do filho de turma ainda no fim do ano letivo.
Segundo a mãe, até agora a família busca entender a razão de as crianças terem sido orientadas a jogar descalças em um piso aquecido pelo sol, mesmo usando tênis apropriados. Ela diz que espera uma resposta clara sobre o que será feito após os relatos.
O que diz a prefeitura



