O silêncio tomou conta do ginásio no momento em que dezenas de formandos aguardavam mais uma entrada tradicional. Não houve música, não houve aplauso imediato, não houve anúncio. Apenas um jovem parado no centro do palco, olhando para a plateia. Em poucos segundos, o que parecia um erro de protocolo se transformou em um dos momentos mais marcantes já vistos em uma formatura em Criciúma.
Gabriel Mezzari Novacoski, aluno do Ensino Médio do STS Colegião, decidiu colar grau em completo silêncio no último sábado, dia 20. O gesto foi uma homenagem direta aos pais, Giselle Mezzari Novacoski e Joelson Martins Novacoski, ambos com deficiência auditiva, que acompanhavam a cerimônia na plateia.
Enquanto os colegas atravessavam o palco ao som de músicas escolhidas, Gabriel optou por caminhar sem trilha sonora. Em resposta, o público realizou uma salva de palmas em libras. Dezenas de mãos se moveram no ar e o ginásio inteiro se comunicou sem emitir um único som.
Para os pais, o impacto foi imediato e inesperado. Giselle conta que demorou alguns segundos para entender o que estava acontecendo. O silêncio prolongado chamou atenção e causou estranhamento inicial, até que a intérprete explicou o gesto. A emoção veio antes mesmo das lágrimas. Ao perceber que a formatura do filho também era uma homenagem à família, ela se sentiu representada e profundamente emocionada.
Gabriel afirma que a ideia do silêncio partiu dele. A intenção era simples. Se aquele era um dos dias mais importantes da sua vida, os pais precisavam vivê-lo por completo. A salva de palmas em libras, por sua vez, foi uma surpresa organizada pela empresa responsável pela formatura.
Após a cerimônia, já em casa, os pais agradeceram ao filho pela homenagem. Segundo Gabriel, a reação foi de orgulho e felicidade. Para ele, o gesto vai além da emoção. Crescido em meio à língua de sinais, o estudante destaca a importância da acessibilidade em todos os espaços, especialmente em escolas, empresas e serviços públicos.
Mesmo com os desafios, Gabriel afirma que a deficiência auditiva nunca foi obstáculo para o amor e para a união familiar. Ele conta que sempre fez questão de levar os pais a todos os eventos escolares ao longo dos anos. A formatura, segundo ele, não poderia ser diferente.
O jovem sonha em seguir carreira no futebol, mas também pensa em cursar Engenharia Elétrica ou Mecânica. Independentemente do caminho, carrega a certeza de que tudo o que conquistou até agora tem relação direta com o apoio dos pais. Para quem assistiu à cena, ficou claro que, naquele dia, o silêncio falou mais alto do que qualquer música.

