Um estudo recente conduzido pela plataforma online Kantar, que entrevistou 3.800 pessoas no primeiro trimestre de 2023, revelou uma tendência surpreendente na dieta dos brasileiros. O consumo de proteínas, com exceção da carne de porco, tem registrado queda. Esse declínio de 9% no período é atribuído aos efeitos da inflação, superando a redução de 6% no setor geral de alimentos e bebidas.
“As proteínas estão em queda, com algumas registrando um declínio mais acentuado, como a carne bovina. Desde o início da alta inflação, o consumo de proteínas está diminuindo desde o ano passado”, informou Aurelia Vicente, diretora do Painel de Uso da Kantar, Divisão Worldpanel.
No primeiro trimestre de 2021, a carne bovina representava 43,1% do consumo de proteínas, mas caiu para 39% no mesmo período de 2023. A queda já havia sido indicada em 2022, quando o consumo caiu para 40,5%. Em contraste, o consumo de carne de porco aumentou de 4,6% entre janeiro e março de 2021, para 7,6% no mesmo período de 2022, e para 9,1% este ano.
Vicente ressaltou que mesmo proteínas mais baratas, como salsichas e linguiças, perderam espaço na dieta dos brasileiros em comparação com o primeiro trimestre de 2022. O consumo de linguiças caiu de 15,4% para 14,9%, e o de salsichas, de 4,8% para 3,8%. A carne de aves, que teve alta de preços em 2022, está mostrando sinais de recuperação, aumentando de 25,9% para 28,6% no primeiro trimestre de 2023.
O consumo de peixes e frutos do mar permaneceu estável nos primeiros três meses deste ano, mantendo um market share de 4,3%, embora tenha apresentado retração em comparação com o mesmo período de 2021 (6%).
Olhando para o futuro, Vicente vê sinais de uma retomada no consumo de carne de frango devido à recente diminuição da inflação. No entanto, a longo prazo, a retomada do consumo depende da estabilização dos preços. Vicente observou que os brasileiros ainda preferem carne bovina e de frango, e provavelmente voltarão a comprar mais dessas proteínas quando tiverem condições financeiras.
