Morro da Pedra Branca será vendido por R$ 5,5 milhões? Anúncio surpreende em SC

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Um dos marcos naturais mais conhecidos da Grande Florianópolis, o Morro da Pedra Branca, teve parte de sua área colocada à venda por uma imobiliária. O terreno, com 24 hectares, está registrado como propriedade privada no município de Palhoça, e foi anunciado por R$ 5,5 milhões.

A proposta causou repercussão nas redes sociais desde que o anúncio foi publicado, no fim de julho. Muitos internautas questionaram a legalidade e a moralidade da venda, já que a região é considerada um patrimônio visual da população local. Termos como “vergonha” e “palhaçada” dominaram os comentários.

Apesar da polêmica, segundo o corretor responsável, Vanderlei Meurer, a área está regularizada, com matrícula no cartório de imóveis e sem averbação de Área de Preservação Permanente (APP). O terreno é descrito como rural e inclui o cume do morro, bastante conhecido por trilheiros e aventureiros da região.

“O dono é um senhor idoso, que sonhava em transformar o local em um ecoparque, mas não conseguiu seguir com o projeto. Me pediu para vender, mas que fosse a alguém que respeitasse a área”, explicou Meurer.

Terreno com história e visibilidade únicas

O Morro da Pedra Branca se eleva a quase 500 metros de altitude e é visível de diversas cidades da Grande Florianópolis, incluindo São José, Palhoça e até Florianópolis. A formação rochosa é estimada em 120 milhões de anos e abriga vegetação nativa da Mata Atlântica, com destaque para bromélias, orquídeas e árvores centenárias como cedros e perobas.

Historicamente, o local foi ponto de referência para tropeiros que cruzavam o litoral em direção ao interior de Santa Catarina. A abertura do Caminho dos Tropeiros, em 1787, aumentou a importância da Pedra Branca como marco geográfico, ligando o então Desterro (atual Florianópolis) à cidade de Lages.

Disputa territorial e presença cultural

O morro já foi alvo de disputa territorial entre os municípios de São José e Palhoça. A controvérsia foi encerrada em 1999, quando o ponto mais alto — a pedra visível — foi oficialmente reconhecido como parte do território de São José. Ainda assim, parte da base do morro permanece em Palhoça.

A imponência do maciço inspirou o nome de bairros, comércios e empreendimentos nas redondezas, como o conhecido bairro Pedra Branca, em Palhoça.

Trilhas, missas e rapel

Nas décadas passadas, o topo do morro chegou a receber missas e eventos de jipeiros, promovidos por grupos religiosos e de aventura. Com o tempo, as trilhas caíram em desuso, mas ainda são procuradas por praticantes de trekking, mountain bike e rapel. A subida, partindo de bairros como Sertão do Maruim ou Pedra Branca, leva cerca de duas horas.

Apesar do caráter privado da área colocada à venda, a discussão levantou questionamentos sobre o limite entre propriedade individual e o valor simbólico de elementos naturais que fazem parte da identidade de toda uma região.

Por ora, nenhuma proposta de compra foi formalizada, segundo o corretor. A venda segue ativa.

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