Em poucos anos de expansão e, no primeiro ano sob regulação plena no Brasil, as bets levaram o país à 5ª posição entre os maiores mercados de apostas do mundo, o que comprova toda a expectativa que o setor gerava.
De acordo com a consultoria internacional Regulus Partners, que revelou os dados para a BBC News Brasil, o país deve faturar com apostas online US$ 4,139 bilhões (cerca de R$ 22 bilhões) em 2025.
Dessa forma, só fica atrás dos Estados Unidos (US$ 17,312 bilhões), Reino Unido (US$ 9,901 bilhões), Itália (US$ 4,617 bilhões) e Rússia (US$ 4,515 bilhões).
Enquanto o Brasil se destaca entre os líderes mundiais em volume de apostas, sites de apostas acompanham esse crescimento com soluções tecnológicas e maior atenção às exigências do mercado local. Aposta é assunto para adultos.
O que revela o estudo do BC: perfil e hábitos do apostador
O Banco Central elaborou um estudo sobre apostas no Brasil a pedido do senador Omar Aziz (PSD-AM). A análise usa dados de 2024 e abrange transações associadas a loterias, jogos de azar e apostas.
De acordo com o estudo, cerca de 24 milhões de pessoas físicas fizeram ao menos uma transferência via Pix para empresas de apostas no período analisado. Além disso, foi identificado que os apostadores estão, em sua maioria, entre 20 e 30 anos.
Por outro lado, o ticket médio mensal foi de aproximadamente R$ 100 entre os mais jovens e superou R$ 3.000 entre os mais velhos. Um dos pontos sensíveis está ligado ao programa Bolsa Família, já que, em agosto de 2024, aproximadamente 5 milhões de pessoas de famílias beneficiárias enviaram cerca de R$ 3 bilhões às bets via Pix.
Arrecadação em alta: como o governo está cobrando
A arrecadação ligada ao setor de apostas acelerou em 2025, refletindo o avanço do mercado regulado e o aumento do controle fiscal sobre as operações. De acordo com a Receita Federal, foram R$ 6,8 bilhões arrecadados em tributos das bets em 2025, um salto relevante em relação ao ano anterior.
Além disso, estima-se que mais de R$ 4 bilhões estejam associados a impostos e licenças, com um total de tributos federais projetados para 2025, no mercado regulado, na casa de R$ 9 bilhões.
Na prática, “cobrar” não é apenas arrecadar, mas também envolve reduzir a operação irregular. Um dos fatores mais eficazes tem sido travar a infraestrutura financeira do mercado ilegal, bloqueando ou restringindo meios de pagamento e contas vinculadas a sites não autorizados, o que tende a ser mais eficiente do que depender exclusivamente do bloqueio de URLs.
Nesse sentido, a Secretaria de Prêmios e Apostas avançou com notificações a instituições por prestarem serviços a operadores ilegais e estabeleceu regras para recusa e fechamento de contas associadas a apostas fora do ambiente regulado.
Risco de mercado ilegal: canalização e efeitos da tributação
O setor alerta que a CIDE de 15% sobre depósitos pode reduzir a canalização ao encarecer o canal legal (R$ 100 viram R$ 85), tornando o mercado regulado menos competitivo frente ao ilegal.
Na prática, impostos que aumentam o preço efetivo para o usuário tendem a empurrar a demanda para o não autorizado, se fiscalização e controles de pagamento não forem fortes.
Regras e proteção: KYC, publicidade e jogo responsável
O pacote de regras e proteção do mercado regulado combina KYC/AML, governança e jogo responsável, visando maior segurança para todos e um crescimento saudável na economiabrasileira.
No eixo de pagamentos, a Portaria SPA/MF 615/2024 busca reduzir fraude e uso de “laranjas”, determinando que prêmios sejam pagos por transferência eletrônica para conta previamente cadastrada do apostador e vedando meios como dinheiro, boleto, cheque, cripto e cartão de crédito pós-pago, além de restringir aportes de terceiros.
Já em publicidade e marketing, a portaria estabelece diretrizes e obrigações para anúncios e campanhas no mercado de quota fixa, enquanto o CONAR complementa com regras de autorregulação para leitura rápida do que pode e do que não pode.
Próximos passos no Congresso: calendário e cenários para 2026
Até 2026, o debate deve se concentrar entre ajustes na CIDE-Bets e a definição do Imposto Seletivo para 2027, com disputa sobre a base de cálculo (depósito vs. GGR) e a preservação da canalização.
Além disso, busca-se regularizar as apostas físicas. Já existe um Projeto de Lei em pauta, mas aguarda votação no Senado.
