Centenas de produtores rurais, comerciantes e lideranças políticas lotaram a Praça Frei Gabriel, em Ituporanga, na manhã desta quinta-feira (26), em uma manifestação que escancara a gravidade da crise no setor da cebola em Santa Catarina. O ato, marcado para as 9h, reuniu agricultores de toda a região que não conseguem mais vender a produção por valores que cubram os custos.
Conforme apuração da Rádio Sintonia FM, o foco do movimento é a crise na comercialização da cebola, que tem gerado prejuízos diretos aos agricultores e reflexos em toda a economia regional. O cenário é considerado preocupante e vem se agravando nos últimos anos.
Preço abaixo do custo preocupa produtores
Segundo produtores, os agricultores convivem com dificuldades há pelo menos três safras. Em 2023, a quebra de produção impactou diretamente a comercialização. Já nas últimas duas safras, o problema tem sido o preço abaixo do esperado, mesmo com boa qualidade e volume na produção atual.
Conforme o vice-presidente da Aprocessc e integrante da Associação Nacional dos Produtores de Cebola (Anace), Jelson Gesser, o agricultor chegou ao limite financeiro, sem conseguir honrar compromissos e sem perspectiva de melhora no curto prazo. Insumos, impostos e mão de obra elevaram o valor investido por hectare, tornando a atividade insustentável.
Importação agrava a situação no campo
Uma das principais reivindicações do movimento é o controle da importação de cebola. A entrada do produto argentino durante a safra nacional reduz o valor pago ao produtor local e aumenta a instabilidade no mercado. Para os agricultores, a concorrência externa agrava ainda mais a situação, pressionando os preços para baixo justamente quando Santa Catarina lidera a comercialização nacional.
“Não é apenas uma questão econômica, mas também social. Muitos produtores estão deixando a atividade e enfrentam dificuldades para pagar dívidas de custeio e investimento.”
Os manifestantes cobram a aplicação de medidas previstas no Decreto 12.866, que permite a adoção de tarifas ou restrições à entrada de cebola importada. Lideranças presentes no ato pretendem encaminhar um requerimento com assinaturas para Brasília pedindo providências.
Comércio sente reflexos e municípios decretam emergência
O impacto já chega ao comércio local. Empresários apontam queda nas vendas, consequência direta da redução de renda no campo. A avaliação é de que a agricultura sustenta a economia regional e, quando o produtor tem prejuízo, toda a cadeia é afetada, desde o comércio até a geração de empregos.
Quase todos os municípios da região decretaram situação de emergência econômica, diante das dificuldades enfrentadas não apenas na cebola, mas também em outras cadeias produtivas, como leite, arroz e fumo. Prefeitos participaram da mobilização e reforçaram a preocupação com os efeitos da crise nas finanças municipais.
Novas mobilizações estão previstas
Conforme as lideranças, o ato foi pacífico e pretende chamar a atenção das autoridades para a situação enfrentada pelos produtores. A manifestação também serviu como convocação para novas ações, incluindo um tratoraço durante a 28ª Festa Nacional da Cebola, com o objetivo de ampliar a pressão por soluções.
Agricultores, comerciantes e moradores da região reforçam a importância da união para dar visibilidade à crise e buscar medidas que garantam a sustentabilidade do setor.
Com informações da Rádio Sintonia FM. , parceira JR.

