O humor do interior ganhou novo fôlego neste início de 2026. Dois nomes que transformaram sotaque, chimarrão e conversa de janela em fenômeno digital decidiram dividir a mesma cena. De um lado, o chapecoense Gessé Boleslau Kazmirski. Do outro, Badin, o Colono, referência consolidada do humor sulista.
A colaboração não surgiu do nada. Ela começou a ser desenhada ainda em agosto de 2024, quando Gessé assistiu a um show de Badin em Chapecó. O encontro nos bastidores rendeu troca de contatos e uma promessa informal: um dia gravariam juntos. Desde então, seguidores dos dois passaram a cobrar a parceria nas redes.
O plano enfrentou adiamentos. Agendas cheias, compromissos profissionais e a logística entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul empurraram a gravação para frente. Só em janeiro de 2026 o encontro finalmente saiu do papel. Em poucas horas de produção, os dois registraram uma sequência de vídeos que começaram a ser publicados nas semanas seguintes.
A estreia trouxe um retrato fiel do humor que os aproximou. Na cena, ambos interpretam mães típicas do Sul, apoiadas na janela, comentando a vida alheia com naturalidade e ironia. O cenário é simples. O texto, direto. O chimarrão aparece como elemento quase obrigatório. A força está no reconhecimento imediato do público, que se enxerga naquelas falas.
Segundo Gessé, a repercussão foi rápida. Para ele, dividir a tela com quem sempre considerou inspiração teve peso simbólico. O influenciador afirma que o convite representou uma confirmação de que seu trabalho ganhou espaço dentro do próprio segmento.
A trajetória dele começou muito antes da parceria. Hoje com 28 anos, Gessé está no Instagram desde 2012, mas foi apenas em 2023 que experimentou crescimento expressivo. A virada aconteceu com um vídeo gravado sem roteiro elaborado, publicado tarde da noite, quase por impulso. O bordão envolvendo o chimarrão se espalhou, foi compartilhado em grupos de família e impulsionou seu alcance.
Desde então, o humor regional virou identidade central do perfil. As esquetes exploram situações comuns do Oeste catarinense: conversa de cozinha, exageros maternos, costumes de interior e relações familiares marcadas por proximidade e franqueza.
Uma das figuras mais queridas do público é a avó, dona Mara. No início, ela desconfiava da exposição. Com o tempo, passou a entender a dinâmica das gravações e hoje participa de forma espontânea. Familiares relatam que ela se emociona ao perceber a repercussão dos vídeos e, frequentemente, sugere histórias da própria juventude para inspirar novos roteiros.
O ponto de contato com Badin está justamente nessa valorização das raízes. Natural de Aratiba, no Rio Grande do Sul, o comediante construiu carreira retratando a vida na colônia, personagens simples e costumes do interior. Antes da internet se tornar palco principal, ele conciliou formação em Engenharia Mecânica com trabalho na indústria.
Ao longo do tempo, criou figuras inspiradas na própria família, transformando experiências pessoais em material de palco e rede social. Essa mistura de memória afetiva, sotaque carregado e observação do cotidiano consolidou seu nome nacionalmente.
A união com Gessé reforça um movimento que vem crescendo nas plataformas digitais: a valorização do humor regional como produto de alcance amplo. O que antes ficava restrito ao público local agora circula pelo país inteiro, mantendo identidade, mas dialogando com diferentes realidades.
Para os dois criadores, a parceria não é apenas um encontro pontual. Novos vídeos ainda devem ser publicados. A expectativa é manter o ritmo e ampliar a interação entre os públicos.
No fim, a força do projeto está na simplicidade. Janela aberta, cuia na mão e conversa fiada que, para quem é do Sul, não tem nada de ficção.

