A Noite de Gala do 42º Festival de Dança de Joinville, realizada neste sábado (27), se tornou um dos episódios mais comentados da história recente do evento. O que era para ser uma celebração da dança de alto nível acabou gerando desconforto, debate e até abandono da plateia, após a exibição de uma apresentação contemporânea que muitos classificaram como “ritualística”, “perturbadora” e “inadequada para famílias”.
Com estética sombria, ausência de música convencional e projeções de palavras em fonética — como “judicandus” (do latim, “aquele que será julgado”), “lágrima”, “requiem”, “Pie Jesu” e outras — o espetáculo dividiu a plateia e provocou reações intensas, especialmente entre os que esperavam uma noite mais tradicional.
Reações imediatas do público: vaias, protestos e abandono do teatro
Durante a apresentação, parte do público começou a vaiar. Houve confronto verbal entre espectadores: enquanto alguns pediam respeito à arte, outros exigiam que o espetáculo fosse interrompido. Relatos apontam que cerca de um terço da plateia deixou o teatro antes do final.
“Um terço do público saiu durante o espetáculo, com certeza. Na minha frente quase deu briga, porque um grupo começou a vaiar e o outro começou a defender”, relatou uma espectadora.
Outra declarou: “Foi um dia de gala, mas foi um dia de horrores. Invocação do demônio.”
Crianças no público geram questionamentos sobre a classificação
A presença de famílias com crianças foi um dos pontos mais mencionados nas redes sociais. Muitos relataram incômodo com a ausência de aviso prévio sobre o conteúdo da apresentação.
“Vou direto rezar, porque com certeza foi um ritual satânico. Energia ruim”, comentou um espectador.
Outros classificaram o momento como “perturbador” e “sem nenhuma classificação indicativa”.
Uma usuária escreveu: “O erro pode ter sido da organização, mas não deixa de ter sido um erro. Desagradou e assustou muitas pessoas.”
Já outra relatou: “Não vi arte e nem dança ali. Levei minha família esperando algo lindo, saí com angústia. Se isso é arte, eu nem quero entender.”
Símbolos religiosos e mensagens ocultas geram debate acalorado
Diversos comentários apontaram para símbolos que causaram desconforto, como cruzes invertidas, velas de ponta-cabeça, gestos considerados “anticristãos” e personagens manipulando outros como marionetes.
“Foi um ritual na Noite de Gala. Triste ver isso com nosso Festival de Dança”, escreveu um usuário.
Outro comentou: “Realmente anti-Cristo. Cruz e velas de ponta-cabeça, símbolos satânicos.”
Apesar disso, houve quem criticasse os críticos: “O problema não tá na peça. Tá em levar criança sem ler antes o que vai assistir.”
Público dividido entre censura e liberdade artística
Enquanto muitos pediram retratação da organização e defenderam a retirada da peça de futuras edições, outros reforçaram a importância da liberdade artística.
“A arte é pra provocar. Nem sempre será leve, bonita ou palatável”, defendeu um espectador.
Já outro apontou que a reação foi exagerada: “Pessoal meio fresco kkk.”
Por outro lado, alguns viram na apresentação uma imposição ideológica: “Cadê aquele festival com balé? É bom sair pra mostrar que não queremos comunismo no Brasil.”
Organização ainda não se pronunciou
Até o momento, a organização do Festival de Dança de Joinville não divulgou nota oficial sobre o episódio. Também não há informações se o espetáculo passará a contar com classificação indicativa para as próximas apresentações.
Patrocinadores como Bosch, Havan, Grupo Barigui, Fruki e Global ainda não comentaram o caso.

