Uma nova variedade de banana descoberta por acaso em uma plantação de Luiz Alves, no Vale do Itajaí, acaba de ser registrada no Ministério da Agricultura. Batizada de Clarinha, a fruta surgiu de uma mutação natural da banana caturra e chamou atenção pela casca mais clara e amarela, que se mantém atraente por mais tempo nas prateleiras.
Conforme a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), a variedade foi validada após cerca de seis anos de testes.
O agricultor Ricardo Rech é um dos responsáveis pela descoberta. Entre os pés de banana cultivados pela família há quase três décadas na propriedade em Luiz Alves, alguns se destacavam por características diferentes da caturra convencional. Segundo a Epagri, os pesquisadores confirmaram que se tratava de uma variedade que se modificou espontaneamente, com a mesma capacidade de produção da caturra, mas esteticamente mais atrativa.

A principal vantagem da Clarinha está na aparência. De acordo com os estudos da Epagri, a variedade possui 43% menos clorofila que a caturra, o que resulta em um amarelo claro e brilhante mesmo durante o inverno, quando a fruta demora mais para amadurecer. A casca também leva mais tempo para apresentar pintinhas pretas, mantendo o aspecto de fruta fresca por um período maior. A textura é firme, o que a torna adequada tanto para consumo in natura quanto para preparo assado ou frito sem desmanchar.
A questão estética é especialmente relevante para a comercialização na baixa temporada. No inverno, é comum encontrar bananas já escurecidas nas prateleiras, o que reduz o apelo ao consumidor e prejudica a rentabilidade dos produtores. A Clarinha, que pertence ao subgrupo Cavendish, o mesmo da banana nanica, aparece como alternativa para esse problema. O nome foi escolhido em homenagem à filha de um dos produtores envolvidos na identificação da variedade.

Até a última atualização, a Clarinha havia sido registrada em 2026 e aguardava lançamento comercial. A expectativa é de que a nova variedade amplie a competitividade dos bananicultores catarinenses, especialmente no Vale do Itajaí, uma das principais regiões produtoras do estado.

