“Vídeo da morte do Orelha não existe”, garante Polícia Civil; advogado e empresários foram indiciados

Share

A Polícia Civil de Santa Catarina confirmou, em entrevista coletiva, novos detalhes sobre a investigação da morte do cão comunitário Orelha, caso ocorrido na Praia Brava, em Florianópolis, e que gerou repercussão nacional.

Durante a coletiva, a delegada Mardjoli Valcareggi, da Delegacia de Proteção Animal da Capital, afirmou que não existe vídeo que mostre a morte do animal, contrariando versões que circularam nas redes sociais e em aplicativos de mensagens. Segundo a Polícia Civil, o que chegou a ser compartilhado foi apenas uma fotografia que identificava os adolescentes investigados.

De acordo com a investigação, a causa da morte de Orelha foram pancadas na cabeça, provocadas por instrumento contundente. O cão chegou a ser socorrido e levado para atendimento veterinário, mas não resistiu aos ferimentos. As agressões ocorreram na madrugada do dia 3 para o dia 4 de janeiro, e o óbito foi confirmado no dia 5.

A Polícia Civil informou que tomou conhecimento formal das agressões no dia 16 de janeiro. Desde então, a apuração avançou com a oitiva de mais de 20 adultos, entre moradores e pessoas ligadas ao caso.

Na coletiva, a delegada também confirmou que um advogado e dois empresários foram indiciados por coação e ameaça a testemunhas. Os três são parentes dos adolescentes investigados pelo crime contra o animal. O inquérito que apurava a atuação desses adultos foi concluído na noite de segunda-feira (26). Durante o mesmo dia, a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão na região da Praia Brava para reunir mais provas.

Outro ponto abordado na coletiva foi a análise de imagens. Segundo a Polícia Civil, estão sendo examinadas mais de 72 horas de gravações, provenientes de ao menos 14 câmeras de monitoramento, o que representa cerca de mil horas de trabalho investigativo.

A investigação também apurou relatos envolvendo outro cão comunitário, conhecido como Caramelo da Brava. Conforme testemunhas, o animal teria sido arremessado ao mar diversas vezes pelos mesmos adolescentes. Há vídeos em que eles aparecem com o cão no colo, mas as imagens são interrompidas. O animal conseguiu fugir e, dias depois, foi adotado.

Durante a coletiva, a Polícia Civil esclareceu ainda que os adolescentes possuem outras condutas infracionais, mas não foi identificada participação em grupos organizados de tortura de animais. A pena máxima prevista para atos infracionais é de até três anos de internação, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente.

A delegada destacou que a investigação sobre a morte de Orelha segue em andamento e que novas diligências não estão descartadas.

Read more

Mais notícias da região