Sexta-feira 13: mitos, superstições e o clube que deu vida à data

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A Sexta-Feira 13, amplamente considerada o dia mais amaldiçoado do calendário, carrega um histórico recheado de mitos e associações ao azar. Mas de onde vem essa fama sombria que acompanha a data, que ocorre até três vezes por ano?

A Origem das Superstições

Historicamente, tanto a sexta-feira quanto o número 13 já eram vistos com desconfiança. Segundo Steve Roud, autor de um guia sobre superstições britânicas, a sexta-feira carrega um peso simbólico por ter sido, de acordo com a tradição cristã, o dia da crucificação de Jesus Cristo. Isso fez com que fosse associada a penitências e abstinências, gerando uma aversão a tomar grandes decisões nesse dia.

Já o número 13, por sua vez, era temido desde o século XVII, quando surgiu a crença de que reunir 13 pessoas em torno de uma mesa traria má sorte. Esse temor pode ter origens na Última Ceia, onde Jesus esteve acompanhado por 12 apóstolos, e no número de bruxas que formariam um clã.

A junção dessas duas superstições, porém, aconteceu em um momento específico da história e foi impulsionada por um grupo que, ironicamente, buscava ridicularizar essas crenças.

O Clube dos Treze e o “Azar” Popularizado

Em 1882, foi fundado o Clube dos Treze, uma organização que desafiava superstições com atos simbólicos. Os membros se reuniam no dia 13 de cada mês, sentavam-se em grupos de 13 à mesa e realizavam rituais como quebrar espelhos e passar por debaixo de escadas. Seu objetivo era confrontar o medo coletivo e provar que essas crenças não tinham fundamento.

O grupo, liderado pelo capitão William Fowler, realizou eventos marcantes, atraindo atenção da mídia e conquistando membros em várias cidades. Em suas reuniões, os integrantes até lamentaram formalmente o fato de que a sexta-feira era vista como um dia de azar, chegando a pedir ao governo que parasse de realizar execuções nesse dia.

No entanto, a insistência do clube em destacar as superstições pode ter tido um efeito inesperado. Ao juntar a sexta-feira e o número 13 em eventos especiais, acabaram perpetuando a conexão entre os dois.

A superstição se consolidou em 1907, quando Thomas Lawson publicou o livro Sexta-Feira 13. Na obra, um corretor de ações utiliza a má fama da data para manipular o mercado financeiro e arruinar seus adversários. Esse livro, somado à crescente popularidade do Clube dos Treze, cimentou a ideia de que a sexta-feira 13 seria um dia de azar.

Décadas depois, a fama da data ganhou um novo fôlego com a franquia de filmes de terror Sexta-Feira 13, que reforçou seu caráter místico e amaldiçoado.

Entre o Mito e a Realidade

O curioso é que o Clube dos Treze, que desejava extinguir superstições, acabou popularizando uma das crenças mais conhecidas do mundo ocidental. Hoje, a Sexta-Feira 13 é celebrada e temida em partes iguais, sendo tema de filmes, livros e histórias que alimentam o imaginário popular.

Afinal, o maior azar do Clube dos Treze foi justamente ter transformado o que era apenas medo em uma tradição cultural que atravessa gerações.

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