“Era o sonho dele”: cadeirante vive noite de frustração para assistir Corinthians em Florianópolis

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Um torcedor cadeirante precisou ser erguido no colo pelo genro para passar por uma catraca do Estádio da Ressacada, em Florianópolis, enquanto outras pessoas levantavam a cadeira de rodas por cima do equipamento, antes de assistir ao jogo entre Barra e Corinthians, pela quinta fase da Copa do Brasil, em uma escada de saída de emergência.

A denúncia foi feita pela filha dele em vídeo e publicação nas redes sociais. O jogo aconteceu na terça-feira, 21 de abril de 2026, às 21h30, e colocou o Barra, de Balneário Camboriú, diante do Corinthians em Florianópolis, porque a arena do clube catarinense não atende à exigência da Confederação Brasileira de Futebol de capacidade mínima de 10 mil lugares a partir desta fase da competição.

Conforme o relato, a família se programou para ir à Ressacada porque o estádio fica próximo de casa e seria a primeira vez que o pai, cadeirante, assistiria a um jogo do Corinthians ao vivo. Uma criança de cinco anos também estava no grupo. A entrada foi pelo setor F, destinado à torcida visitante.

A filha afirma que as catracas não tinham espaço para a passagem da cadeira de rodas e que um segurança teria dito que não haveria como subir até o local de visão do jogo, porque o acesso era apenas por escada. Mesmo assim, a família decidiu entrar.

Segundo o relato, o marido dela ergueu o sogro no colo, enquanto outras pessoas levantaram a cadeira de rodas por cima da catraca para devolvê-la ao torcedor do outro lado.

Ainda conforme a familiar, o grupo assistiu parte do primeiro tempo sem lugar adequado. Ela afirma que pediu várias vezes o acesso a uma escada lateral que estaria vazia, mas o pedido teria sido negado por funcionários.

Depois de insistência e de intervenção de torcedores do Corinthians no setor visitante, seguranças teriam liberado o acesso e ajudado a subir o cadeirante por uma escada identificada como saída de emergência, onde a família acompanhou o restante da partida.

A gente não quer privilégio. A gente quer respeito, dignidade. É assistir ao jogo como qualquer torcedor que pagou o ingresso e tem seus direitos garantidos.

A filha afirma que foi vendido ingresso de meia entrada para pessoa com deficiência, mas que não havia, no setor visitante, estrutura compatível com a condição do pai. Ela diz também que se identifica como pessoa com deficiência e que lidera um movimento voltado a denúncias de barreiras de acessibilidade em estádios.

Até a última atualização, não havia manifestação oficial do Barra, do Corinthians ou da administração do Estádio da Ressacada sobre o caso. A repercussão se concentrava nas redes sociais, com comentários de torcedores de diferentes times cobrando providências.

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