Bióloga do IMA alerta: alimentar animais silvestres em UCs causa doenças e desequilíbrio ecológico

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Visitar uma Unidade de Conservação (UC) em Santa Catarina vai muito além da contemplação. Ao acessar esses espaços legalmente protegidos, o cidadão assume responsabilidade direta sobre a fauna, a flora e o equilíbrio dos ecossistemas que abrigam parte do patrimônio natural do estado.

O alerta vem do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA). A bióloga e gerente de Biodiversidade e Florestas da instituição, Vanessa Moraes Nunes, é direta sobre os riscos da interação com animais silvestres: “Essa interação não deve ocorrer entre humanos e animais silvestres. O contato direto ou a alimentação desses animais provocam estresse, favorecem a transmissão de doenças e alteram o comportamento natural das espécies, gerando desequilíbrios ecológicos. Além disso, a aproximação excessiva também representa riscos à segurança das pessoas.”

Observar sim, interferir não

O IMA não proíbe a contemplação da fauna, mas estabelece limites claros. “A orientação do IMA é clara: apreciar, sim — interferir na vida silvestre, não. Contemplar, fotografar, observar a fauna em vida livre é permitido, desde que não invada o espaço dos animais e respeite seu papel no ecossistema”, reforça Vanessa Moraes Nunes.

A proteção das espécies depende de atitudes concretas de cada visitante. O IMA orienta que é fundamental não alimentar animais silvestres, manter distância segura durante avistamentos, não tocar ou perseguir os animais, permanecer nas trilhas sinalizadas, não descartar lixo no ambiente natural, respeitar as regras específicas de cada UC e denunciar práticas ilegais aos órgãos competentes.

Planos de ação para espécies ameaçadas

O IMA conduz atualmente três iniciativas de conservação para espécies ameaçadas de extinção em Santa Catarina: o Plano de Ação Territorial para Conservação de Espécies Ameaçadas do Planalto Sul (PAT Planalto Sul), o Plano de Ação Estadual para Conservação do boto-pescador e o Plano de Ação Estadual para Conservação do preá-de-moleques.

Esses planos são construídos de forma participativa, envolvendo governo, instituições e sociedade civil, com o objetivo de reverter ou minimizar ameaças às espécies e aos seus habitats. Preservar a fauna silvestre, segundo o instituto, é garantir o equilíbrio dos ecossistemas e a qualidade de vida das futuras gerações.

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