A investigação sobre a chacina brutal que chocou o Vale do Rio Tijucas ainda está em estágio embrionário — ou seja, ainda há muito a ser esclarecido e desvendado. Todavia, nas redes sociais, pipocam diariamente inúmeras informações. É natural que isso ocorra, afinal, trata-se de um caso que repercutiu em todo o estado catarinense.
A cidade de São João Batista vive um momento inédito em sua história. Após enfrentar inúmeros desafios — sobretudo com inundações e fenômenos climáticos —, a população do município teve oscilações, mas não apresentou crescimento significativo. Em contrapartida, como reflexo dos problemas de infraestrutura e economia, aumentou a quantidade de “bolsões habitacionais” com famílias carentes ou em situação de vulnerabilidade social.
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Nesses locais, o crime organizado consegue se infiltrar com maior facilidade. Uma das áreas mais vulneráveis é o bairro Timbézinho, justamente onde ocorreu o quádruplo assassinato do último fim de semana, mais precisamente na noite de sábado (17 de maio de 2025).
No início do ano, Maicon Pereira dos Santos, de 23 anos, natural de Alagoinhas (BA), também morreu após confronto com o Tático (PPT) da Polícia Militar durante uma operação na Rua Lindomar Martins de Sousa, no mesmo bairro. Pouco tempo antes, Jederson de Paes Mello, de 22 anos, foi executado na mesma região. Essa ocorrência deixou ainda um homem de 27 anos gravemente ferido por disparos de arma de fogo.

O que se sabe sobre o crime?
A Polícia Civil de Santa Catarina investiga um quádruplo homicídio qualificado com destruição de cadáveres, ocorrido na noite de sábado (17), no bairro Timbézinho, em São João Batista. Quatro corpos carbonizados foram encontrados dentro de um carro em chamas, após moradores relatarem gritos e uma explosão.
O Corpo de Bombeiros controlou o fogo com água e espuma. Um corpo foi localizado no banco traseiro e outros três no porta-malas. A principal suspeita é de que o crime tenha ligação com o tráfico de drogas. A Polícia Científica trabalha na produção dos laudos periciais, que devem levar alguns dias para serem concluídos, devido à complexidade do caso.
A Polícia Civil também localizou em São João Batista a casa onde, segundo as investigações, os quatro jovens teriam sido executados antes de terem seus corpos carbonizados. O imóvel, conhecido como ponto de tráfico, fica a cerca de dois quilômetros do local onde o carro incendiado foi encontrado no bairro Timbezinho.
A principal suspeita é de que o crime esteja ligado a acertos de contas entre facções criminosas. As vítimas teriam sido esfaqueadas ou espancadas antes de serem colocadas no veículo. A polícia também apura se houve desmembramento e tenta identificar a facção envolvida.
Quem são as vítimas?
Até o momento, não houve divulgação oficial sobre a identidade dos quatro cadáveres localizados no automóvel. Entretanto, o Jornal Razão apurou com exclusividade detalhes da investigação.
A confirmação das identidades depende dos laudos da Polícia Científica. Todavia, boletins de ocorrência registrados nos últimos dias, relatando o desaparecimento de jovens que moravam em São João Batista, deram um novo rumo à apuração. Também foi possível constatar que informações do submundo criminal passaram a circular nas redes sociais.
Amigos dos supostos rapazes assassinados publicaram fotos lamentando os óbitos, com frases como: “o crime não é o creme” e “eram só crianças”.
- Gabriel de Azevedo Pereira: natural de Porto Alegre (RS), o jovem de 19 anos é apontado como uma das possíveis vítimas. Está oficialmente desaparecido. Sua imagem circula em publicações desde a manhã de domingo.
- Guilherme Vinícius Bittencourt: natural de Gravataí (RS), o jovem de 18 anos teve seu desaparecimento registrado em boletim por sua mãe, nesta segunda-feira (19/05/2025).
- Gabriel Salomão: natural de Tijucas (SC), Gabriel tem 20 anos. Uma familiar relatou, em boletim de ocorrência, que não tem contato com ele desde 23/04/2025. No dia 18/05, um conhecido do marido dela informou por mensagem que Gabriel teria sido vítima do crime ocorrido no dia anterior.
O quarto jovem executado teria idade entre 18 e 22 anos. Contudo, como ainda não há confirmação oficial nem boletim de ocorrência sobre seu desaparecimento, o Jornal Razão opta por divulgar apenas os nomes de Gabriel Pereira, Gabriel Salomão e Guilherme Bittencourt.
O caso segue em apuração pela Delegacia de Polícia Civil de São João Batista.

