‘Você até viado é’: jovem denuncia homofobia em clínica de Lages

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Um jovem morador de Correia Pinto, na Serra Catarinense, registrou boletim de ocorrência por homofobia após relatar ter sido ofendido pela proprietária de uma clínica de estética em Lages no dia 16 de abril.

A denúncia veio a público nesta terça-feira, 28 de abril, em um vídeo postado pelo próprio jovem em suas redes sociais. No mesmo material, a advogada que o representa também aparece falando sobre o caso.

A ida ao estabelecimento

Conforme o relato, o jovem foi até a clínica para acompanhar uma amiga, que havia comprado um pacote de procedimento estético cerca de quatro meses antes e ainda não tinha conseguido executá-lo. Após muita insistência, segundo o relato, a cliente e a clínica teriam fechado um acordo para realizar o procedimento naquela data.

Ao chegarem ao estabelecimento, conforme o denunciante, o produto necessário para o procedimento não estava disponível.

A frase ouvida

Foi nesse momento, segundo o relato, que ele questionou a postura da proprietária. Conforme o denunciante, a dona da clínica teria reagido de forma sarcástica e, em seguida, dito a ele a frase “você é até viado é”.

“Quando ela me falou isso, me deixou totalmente coagido. Eu me senti muito ofendido.”

A polícia chamada

Segundo o jovem, a saída encontrada foi acionar a Polícia Militar. O boletim de ocorrência foi registrado ali mesmo.

Enquanto o atendimento policial era feito, conforme o relato, a proprietária teria ido até a recepção e, diante das outras pessoas que aguardavam atendimento e dos próprios policiais, justificado que havia o chamado de “viado”, mas “sem intenção de ofender”.

Ainda durante a espera pelo registro do BO, conforme o denunciante, uma funcionária da clínica teria se aproximado dele afirmando que ele “não poderia se sentir ofendido por ter sido chamado de viado, porque era um viado bonito”.

A nota e o vídeo

Doze dias depois do episódio, o jovem decidiu tornar o caso público. Em uma nota publicada no Instagram, ele afirmou ter sido vítima de “ofensas de cunho discriminatório em um estabelecimento comercial de Lages” e disse confiar na apuração das autoridades. Na legenda, prometeu publicar em breve um vídeo com mais detalhes da exposição.

No relato gravado, o denunciante afirma que decidiu abrir o caso para que outras pessoas saibam o que aconteceu, e nega que a exposição tenha objetivo de visibilidade pessoal.

“Eu não estou aqui pra brincar, eu não estou aqui pra expor ou pra ganhar engajamento em cima dessa situação.”

Crime equiparado a racismo

No mesmo vídeo, a advogada do denunciante explica a tipificação jurídica do caso. Ela afirma que o crime de homofobia foi equiparado ao crime de racismo pelo Supremo Tribunal Federal e que, por isso, é considerado imprescritível e inafiançável.

Segundo a advogada, a homofobia é crime de ação penal pública incondicionada, o que significa que o Ministério Público pode atuar independentemente da vontade da vítima.

A resposta da proprietária

Após a publicação da denúncia, a proprietária da clínica procurou o jovem por mensagem direta no Instagram. Conforme prints divulgados pelo próprio denunciante em seus stories, ela disse que não pretendia pedir a retirada do post e queria apenas conversar.

Na mesma mensagem, a proprietária revelou que também havia registrado um boletim de ocorrência e afirmou que não entraria no mérito de retirar nem o registro dela nem o dele. Há, portanto, dois BOs cruzados em Lages: um de cada parte. O denunciante tornou pública a tentativa de contato em seu próprio perfil.

A reportagem não conseguiu, até o fechamento desta publicação, contato com a clínica para um posicionamento sobre o conteúdo da denúncia. O espaço segue aberto para manifestação.

A repercussão

Após a publicação do vídeo, os comentários do post passaram a reunir relatos de outros consumidores que afirmam ter problemas com a mesma empresa, em reclamações que envolvem desde execução de pacotes contratados até a forma de atendimento. As queixas vieram de pessoas que se identificam como clientes da clínica em diferentes momentos.

O caso segue em apuração na Polícia Civil de Lages.

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