“Não daria em nada”: advogada se recusa ao bafômetro após atropelar motoboy em Itajaí

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Uma mulher que se identificou como advogada foi presa neste sábado (18) após atropelar um motoboy de 53 anos na rua Indaial, em Itajaí, no Litoral Norte de Santa Catarina.

Conforme a Guarda Municipal de Itajaí (GMI), a condutora foi encaminhada à Central de Plantão Policial (CPP) e ficou presa à disposição da Justiça. O entregador foi socorrido consciente, com ferimentos, e levado ao Centro Integrado de Saúde (CIS) para realizar exame de raio-X.

“Meu seguro paga tudo” — teria dito a condutora no local, insistindo em deixar a cena após o acidente, segundo relatos de testemunhas.

A tentativa de fuga

Testemunhas relatam que, após o impacto, a mulher aparentava estar totalmente alcoolizada e tentou deixar a rua Indaial como se nada tivesse acontecido. Segundo quem estava no local, ela só não conseguiu porque motoqueiros que passavam pela região reagiram e a contiveram até a chegada dos agentes. Um grupo de populares também pressionou pela condução dela à delegacia, chegando a ameaçar expor o caso nas redes sociais caso ela fosse liberada.

“Eu estava no local. Uma vergonha. Ela estava totalmente alcoolizada, atropelou o entregador e fugiu, o que é crime, e nada eles fizeram. O carro dela ficou todo demolido, a lateral arrastando no chão”, desabafou uma moradora que acompanhou a cena e publicou relato nas redes sociais. Outra testemunha afirmou ainda: “Ela ficava tirando: ‘ai tadinho, eu sou advogada’. Foi revoltante”.

A recusa ao bafômetro

Quando os agentes de trânsito e a Guarda Municipal de Itajaí chegaram ao local e ofereceram o teste do bafômetro, a condutora se recusou a fazer o exame. Pela legislação brasileira, a recusa ao teste gera suspensão da Carteira Nacional de Habilitação e multa, mas não configura prisão em flagrante por embriaguez — diferentemente do que ocorreria se o teste apontasse álcool no organismo, situação em que responderia por crime de trânsito.

Ainda segundo relatos, a mulher teria dito no local que “não daria em nada” porque é advogada, o que aumentou a revolta de moradores, colegas do entregador e motoqueiros que acompanhavam a cena. Casos semelhantes em Santa Catarina, como o de uma condutora embriagada que matou um motociclista na própria Itajaí, e o de uma motorista que matou uma empresária em Balneário Camboriú e foi solta após pagar R$ 30 mil de fiança, reforçaram o clima de indignação.

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O entregador ferido

A vítima é um motoboy de 53 anos que, segundo colegas de profissão, trabalha há mais de três décadas com entregas na região. “Ele trabalha de domingo a domingo”, disse um companheiro de equipe, revoltado com a cena. A moto usada pelo entregador ficou bastante danificada com o impacto e foi deixada no local. Ele foi encaminhado consciente ao CIS, em Itajaí, para realização de raio-X e avaliação médica. Em caso semelhante registrado em Indaial, um motoboy foi atropelado e teve a moto arrastada por uma avenida após o condutor tentar fugir sem prestar socorro.

O que diz a lei

A legislação de trânsito brasileira prevê que o condutor flagrado dirigindo sob efeito de álcool, com teste positivo no bafômetro, responde por crime de trânsito e pode ser preso em flagrante. A recusa ao teste, por outro lado, é infração administrativa gravíssima, com multa e suspensão do direito de dirigir, mas não caracteriza prisão pela embriaguez em si. A Polícia Civil deve apurar se há outros elementos que sustentem autuação por embriaguez ao volante mesmo sem o exame, bem como os crimes relacionados à tentativa de deixar o local sem prestar socorro.

Até a última atualização, a condutora seguia presa à disposição da Justiça, após ter sido encaminhada à Central de Plantão Policial pela Guarda Municipal de Itajaí. A Polícia Civil deve apurar as circunstâncias do acidente e os desdobramentos do caso.

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