Um fenômeno raro está transformando a aparência das ostras cultivadas em Florianópolis. Nas últimas semanas, maricultores da região passaram a notar que os moluscos estão apresentando uma coloração esverdeada incomum, o que gerou preocupação entre clientes de vários estados do Brasil.
A causa, segundo pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina, é a proliferação de uma microalga do grupo das diatomáceas do gênero Haslea, que está tingindo as ostras, vieiras e mexilhões cultivados na baía.
Conforme a Universidade Federal de Santa Catarina, o fenômeno não representa risco à saúde dos consumidores. A microalga identificada não produz toxinas e, ao contrário do que a aparência incomum pode sugerir, agrega qualidade nutricional e sabor aos moluscos cultivados na região.
Gabriel Filipe Faria Graff, doutorando em Biotecnologia e Biociências e pesquisador do Laboratório de Biotecnologia e Saúde Marinha da UFSC, explica que a ocorrência de ostras verdes já foi registrada em Santa Catarina em pelo menos duas outras ocasiões: em 2009 e entre 2015 e 2016.
A descoberta começou com Vinicius Ramos, proprietário da Fazenda Marinha Paraíso das Ostras, localizada no extremo sul da ilha, na Caeira do Ribeirão da Ilha, em Florianópolis. Há algumas semanas, ele foi procurado por clientes da região e de outros estados que relataram que as ostras apresentavam um aspecto que parecia “mofado”. Ainda assim, Vinicius informou que as ostras eram raras e que suas comercialização estava dentro da normalidade.
A partir desses relatos, pesquisadores foram a campo investigar. Com apoio do Laboratório de Ficologia da UFSC, as análises confirmaram a presença de diatomáceas do gênero Haslea. Os estudos genéticos agora vão investigar se corresponde à espécie Haslea ostrearia, a mesma encontrada na França, que produz um pigmento azul chamado marennina.
O fenômeno foi registrado anteriormente em Santa Catarina em 2009 e entre 2015 e 2016, mas nunca com investigação científica aprofundada. A floração atual, observada nas últimas semanas na Baía Sul, chegou ao conhecimento dos pesquisadores após os relatos de clientes que compraram ostras da Fazenda Marinha Paraíso das Ostras e estranharam a coloração verde dos moluscos.

Com a confirmação laboratorial, a equipe do LaBIOMARIS conduz agora duas frentes de investigação: análises moleculares para identificar com exatidão a espécie da microalga e, em seguida, o levantamento das condições ambientais que podem ter favorecido a repetição do fenômeno. “A ideia é observar aspectos como as correntes marítimas, ondas de calor, vento, condições ambientais em geral e cruzar essas informações para verificar o que pode ter favorecido a repetição do fenômeno”, explica Gabriel Filipe Faria Graff.

