A deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC) afirmou em entrevista ao Irmãos Dias Podcast que o senador Esperidião Amin (PP) não deve recuar na disputa ao Senado por Santa Catarina diante da chegada de Carlos Bolsonaro ao estado.
“Se eu fosse ele, eu não retiraria, pensando nos meus interesses pessoais”, disse a parlamentar, que também se declarou “a maior liderança intelectual do PL de Santa Catarina”.
Segundo Campagnolo, Amin tem uma trajetória consolidada na política catarinense e não deveria abrir mão da disputa. “O homem foi governador de Santa Catarina na época da ditadura militar, foi governador eleito, foi senador. Agora o cara vai sair a deputado federal numa briga com um candidato que vem de fora e uma que é neófita na vaga do Senado? Eu não faria isso. Nem que eu botasse minha carreira no buraco e perdesse a eleição, eu não ia aceitar isso”, declarou.
A deputada também afirmou que acredita que Esperidião Amin não vai ceder espaço nem para Carlos Bolsonaro nem para Caroline de Toni. “Ele não vai recuar pro Carlos, que veio de fora, e não vai recuar pra Carol, que embora seja uma ótima, vai ser uma ótima senadora”, disse. Na avaliação dela, cabe a Carlos convencer o eleitor catarinense, e não o contrário.
Campagnolo ainda criticou a forma como Carlos Bolsonaro chegou ao cenário político de Santa Catarina. Segundo ela, o pré-candidato errou ao tentar impor sua candidatura. “Achei que foi um movimento ruim do Carlos chegar no nosso estado exigindo voto, exigindo apoio, querendo obrigar o eleitor a tomar um posicionamento e atacando uma das lideranças mais consolidadas, que no caso sou eu, modéstia à parte”, afirmou.
A parlamentar citou ainda uma carta do ex-presidente Jair Bolsonaro, publicada pelo deputado federal Nikolas Ferreira, na qual Bolsonaro pedia que aliados deixassem de brigar entre si. “O próprio presidente Bolsonaro pedindo que eles passassem a conquistar o voto e não a impor. Eu achei maravilhoso”, disse Campagnolo, usando as palavras do ex-presidente para reforçar a crítica ao vereador carioca.
Sem esconder a autovalorização, Ana Campagnolo se colocou como referência ideológica do PL em Santa Catarina. “Com todo respeito, sou o melhor quadro ideológico do nosso partido no nosso estado. A Carol de Toni é maravilhosa, nossa melhor política, melhor articuladora, tenho certeza que fará um excelente trabalho no Senado. Mas eu sou a maior liderança intelectual do PL de Santa Catarina”, declarou.
Campagnolo também fez uma crítica direta ao que considera dependência política dos filhos de Jair Bolsonaro em relação ao sobrenome do pai. “Eu só acho que não é razoável que o único atributo de um político seja seu pai ou sua mãe. Que toda vez que esse político vai falar de si ele tem que falar sobre seu pai, sua mãe, seu tio, seu avô. E o catarinense não gosta muito disso também”, afirmou.
A entrevista foi concedida em meio ao racha que divide o bolsonarismo em nível nacional, com os filhos de Jair Bolsonaro de um lado e o eixo formado por Nikolas Ferreira e Michelle Bolsonaro de outro. Campagnolo é apontada como uma das principais representantes desse segundo grupo em Santa Catarina.
Nesta quarta-feira (15), Carlos Bolsonaro publicou um texto no X atacando um “grupelho” que, segundo ele, “há anos vinha arquitetando um projeto de poder à margem de qualquer princípio moral”.
Já a pesquisa AtlasIntel de abril aponta Caroline de Toni na liderança para o Senado com 30,7%, seguida por Esperidião Amin, com 20,1%, e Carlos Bolsonaro, com 18,3%. O lançamento oficial da pré-candidatura de Carlos está marcado para 9 de maio, em Florianópolis. Na eleição para o Senado em Santa Catarina, duas vagas estarão em disputa.

