O Ibama desativou definitivamente o último criadouro de macacos-prego do Brasil, localizado em Xanxerê, no Oeste de Santa Catarina. A ação foi concluída nesta semana e divulgada na sexta-feira (10). Ao todo, 193 animais já foram resgatados da propriedade, que funcionou por mais de uma década amparado por uma liminar judicial.
Conforme o Ibama, nesta última operação, 26 macacos-prego foram retirados do local após a expedição de mandado judicial para ingresso na propriedade. A medida foi necessária porque o proprietário promovia obstáculos às equipes de fiscalização.
Animais vendidos por até R$ 100 mil
No estabelecimento, os animais eram criados e comercializados. Além de macacos-prego, o local também vendia saguis e outras espécies da fauna brasileira. Durante a vigência da liminar, entre 2013 e 2024, o criadouro declarou a venda de 240 primatas, sendo 86 macacos-prego e 154 saguis, com valores que ultrapassavam R$ 100 mil por animal.
Com a cassação da liminar, o Ibama iniciou em 2024 o processo de desativação do criadouro, onde foram constatadas graves situações de maus-tratos. Os animais eram mantidos em gaiolas pequenas, que não permitiam movimentos básicos como a escalada. Foram observados quadros de desnutrição, estresse crônico, privação de luz solar e separação precoce de filhotes e suas mães.
“Manejo na base do terror”
De acordo com uma das fiscais envolvidas na apreensão, “o criadouro funcionava apenas para a reprodução dessas espécies, visando ao lucro com a exploração desses animais, tratando-os como meras mercadorias”. Segundo a servidora, o manejo dos animais era feito com jatos d’água de alta pressão, e todos apresentavam sintomas de aversão a pessoas e medo exacerbado.
A fiscal relatou ainda que o estresse era tão elevado que os macacos já não desenvolviam mais os comportamentos esperados para a espécie, como a estruturação hierárquica de grupos.
Resgate e reabilitação
Anteriormente, 167 animais já haviam sido retirados do local, sendo 126 aves e 41 primatas. Esses animais foram encaminhados aos Centros de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) de Brasília, Lorena (SP) e Porto Alegre, no ano passado.
Os 26 macacos-prego resgatados nesta última ação foram encaminhados a uma instituição especializada em reabilitação física e comportamental. No novo local, os animais contam com recintos amplos, com terra, vegetação e estrutura para escalada. Conforme a fiscal, os primatas receberão nutrientes e exercícios para o restabelecimento das condições de saúde.
O superintendente do Ibama em Santa Catarina, Paulo Maués, declarou que o encerramento do criadouro representa uma importante vitória para a proteção das espécies do gênero Sapajus no Brasil, algumas das quais estão ameaçadas de extinção.
A operação contou com apoio logístico da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para o encaminhamento dos animais, além do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA-SC), da Polícia Militar Ambiental e de outras instituições parceiras.
O Ibama reforça que a criação de macacos-prego como animais de estimação não é recomendada pelos órgãos ambientais, por comprometer os comportamentos naturais da espécie e frequentemente resultar em manejo abusivo, maus-tratos e riscos sanitários.
Fonte: Ibama Brasil

