‘Portas fechadas a 34°C’: moradores vivem reféns de infestação de maruins em SC

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Moradores de Ilhota, no Vale do Itajaí, vivem há mais de 15 anos como reféns de uma infestação de maruins que os obriga a manter portas e janelas fechadas, mesmo com temperaturas que passam dos 34°C. Sem nenhum produto comprovadamente eficaz contra o inseto, a prefeitura informou ao G1 que está contratando uma empresa especializada para realizar testes experimentais de uma substância com potencial para o controle do mosquito, cuja picada causa irritação, coceira e pode transmitir a Febre do Oropouche.

A infestação se concentra na região do Morro do Baú, área rural do município marcada por grandes plantações de banana. Moradores relatam uma rotina de isolamento dentro das próprias residências: portas e janelas permanentemente fechadas e ventiladores ligados para suportar o calor, já que abrir a casa significa ser atacado pelos mosquitos.

“Durante o dia, a gente está preso como prisioneiros dentro das nossas casas. Nós somos prisioneiros das nossas casas“, desabafou a moradora Patricia Zigoski Uchôa em reportagem do g1.

Segundo os moradores, a convivência com os maruins se intensificou desde 2008, quando fortes chuvas atingiram a cidade e devastaram a região do Morro do Baú. Nos últimos três anos, no entanto, as ocorrências se agravaram significativamente.

Por que os maruins se proliferam ali

De acordo com a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), a proliferação do maruim está diretamente ligada a ambientes com grande quantidade de matéria orgânica em decomposição. As fêmeas depositam os ovos em locais úmidos e ricos em matéria orgânica, o que faz com que as larvas se desenvolvam em mangues, brejos e pântanos, características presentes na região do Morro do Baú e entorno das plantações de banana.

A prefeitura de Ilhota informou que está em fase de contratação da empresa Nório, de Joinville, para a realização de testes técnicos em caráter experimental e controlado. A mesma empresa foi financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação de Santa Catarina (Fapesc) para conduzir testes na vizinha Luiz Alves, quando aquele município decretou situação de emergência por causa dos maruins em 2024.

Ao g1, a Nório confirmou que foi contatada pelo próprio município de Ilhota. Ainda não há, segundo a prefeitura, uma substância específica comprovadamente eficaz contra o inseto. A reportagem do g1 também questionou a Anvisa sobre o que falta para o registro do produto, mas aguardava retorno até a última atualização.

A prefeitura ressaltou que a eventual aplicação será “restrita, monitorada e acompanhada por equipe técnica, com o objetivo exclusivo de avaliação de resultados, sem caracterizar, neste momento, a adoção definitiva como política pública”.

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