O vereador Alexandre de Sousa (PP), de Palhoça, publicou um vídeo nas redes sociais em que percorre uma trilha até o mangue do bairro Ponte do Imaruim, na Grande Florianópolis, e mostra a área de preservação permanente sendo ocupada por pessoas em situação de rua e usuários de drogas. Na gravação, o parlamentar questiona a atuação dos órgãos ambientais, que tentam retirar Vilmar Godinho, o Guardião do Vale da Utopia, do local onde vive há 36 anos.
O vídeo foi gravado na Avenida João Borne, no bairro Ponte do Imaruim, onde o vereador entrou pela trilha de acesso ao mangue. No local, Alexandre encontrou ao menos duas pessoas acampadas na área de preservação. “Esse aqui é o nosso mangue, um dos maiores mangues da América Latina, sendo frequentado por usuários de droga, pessoas que passam de rua, patrimônio nosso natural sendo poluído”, afirmou o parlamentar.
Dois pesos, duas medidas
A crítica do vereador tem como pano de fundo o caso de Vilmar Godinho, gaúcho de Porto Alegre que vive há 36 anos em uma caverna no Vale da Utopia, entre as praias da Guarda do Embaú e Pinheira, em Palhoça. Conhecido como “Guardião do Vale”, Vilmar é alvo de uma Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público de Santa Catarina desde 2016, que pede sua desocupação do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro.
O Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) se posicionou contra a permanência de Vilmar no local, alegando que a ocupação não estaria em conformidade com as normas da unidade de conservação. No entanto, moradores e apoiadores afirmam que o Guardião preserva ativamente a região, recebe turmas de escolas para educação ambiental e realiza mutirões de limpeza.
Apelo aos órgãos ambientais
No vídeo, o vereador faz um apelo direto ao IMA, à Polícia Ambiental, ao Ibama e ao Fecam para que voltem suas atenções às áreas efetivamente degradadas. “Façam o trabalho de vocês, mas façam nos locais corretos. Não precisa ir lá incomodar o Seu Vilmar”, disse Alexandre de Sousa.
A publicação gerou forte repercussão nas redes sociais, com dezenas de comentários de apoio ao posicionamento do parlamentar. Seguidores destacaram a contradição entre a tentativa de retirar Vilmar de um local preservado e a falta de ação contra a degradação em áreas como o mangue da Ponte do Imaruim.
Campanha pela permanência
A situação de Vilmar já havia motivado a campanha “Deixem o Vilmar em paz” em 2016, quando uma liminar determinou a desocupação da caverna com multa diária de R$ 500. A liminar chegou a ser suspensa pelo juiz André Fonseca na época. Em 2025, o MPSC apresentou uma proposta de acordo que permitiria ao Guardião continuar visitando e zelando pela área, desde que desocupasse o local como residência fixa no prazo de um ano. A defesa de Vilmar não aceitou a proposta.
Com a liminar atualmente suspensa, Vilmar segue morando na caverna entre as rochas do Vale da Utopia. O caso continua em tramitação na Vara da Fazenda Pública da Comarca de Palhoça.

