Um furto de barco em Tijucas mobilizou a Polícia Militar na noite desta segunda-feira (23) e acabou revelando algo muito maior do que um simples crime patrimonial. Ao atender a ocorrência na rua Noemi Azevedo, por volta das 22h45, equipes do Tático prenderam três homens em flagrante e descobriram que um deles era foragido da Justiça do Distrito Federal, condenado a mais de 16 anos de prisão por ter matado a tiros o gerente de uma concessionária de veículos em Brasília, em 2015.
Conforme informações repassadas à PMSC, dois homens teriam furtado uma embarcação de um rio nas proximidades e fugido em direção a uma empresa localizada na região. Um vigia de uma empresa de segurança privada relatou ter recebido um alerta sobre a invasão de um estabelecimento por dois suspeitos encapuzados.
Durante as rondas no local, o vigia não conseguiu localizar os invasores, mas foi abordado por dois homens que afirmaram ter tido o barco furtado. Eles indicaram que a embarcação teria sido levada para uma área próxima à empresa.
Pouco depois, ao retornar ao terreno acompanhado do proprietário da empresa, o vigia relatou ter ouvido entre dois e três disparos de arma de fogo vindos dos fundos do local. Diante disso, a Polícia Militar foi acionada.
Equipes do Tático chegaram ao endereço e abordaram um dos envolvidos, que inicialmente tentou se afastar, mas retornou em seguida. O homem confessou aos policiais que havia escondido um rifle calibre .22 dentro de uma carretinha e admitiu ter disparado contra dois homens que, segundo ele, tentavam furtar seu barco.
Durante as buscas no terreno, outro homem informou possuir um revólver calibre .357 guardado em sua residência. A arma, no entanto, não foi localizada de imediato. Em uma casa no mesmo terreno, os policiais encontraram munições de calibres .22 e .36 sobre uma mesa. No interior do imóvel, um terceiro homem foi flagrado com um revólver calibre .36 e também com o revólver calibre .357 que havia sido mencionado anteriormente.
Ao todo, foram apreendidos um rifle calibre .22, um revólver calibre .36, um revólver calibre .357 e munições de diferentes calibres.
Foragido por homicídio no DF
A situação ganhou contornos ainda mais graves quando os policiais consultaram os antecedentes dos envolvidos. A verificação revelou que o homem encontrado com as duas armas de fogo possuía um mandado de prisão em aberto, expedido pela Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, pelo crime de homicídio doloso qualificado.
Conforme apurado pela redação do Jornal Razão, trata-se de Nivaldo Gonçalves, natural de Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná. Ele foi condenado pela Justiça do Distrito Federal pela morte de Wesley Ornelas de Oliveira, de 37 anos, gerente de uma concessionária na Cidade do Automóvel, região comercial de Brasília conhecida por reunir dezenas de lojas de veículos.
O crime aconteceu no dia 17 de novembro de 2015, em frente à agência Capital Motors, no SCIA, Cidade Estrutural. Conforme o processo judicial, Nivaldo tentou vender um carro à concessionária por um valor que incluía acessórios como rodas e sistema de som. No entanto, no momento da entrega do veículo, os itens haviam sido retirados. O gerente Wesley cancelou a compra.
Segundo relatos da época, Nivaldo agrediu Wesley física e verbalmente, tentando forçá-lo a comprar o carro mesmo sem os acessórios.
Em seguida, uma terceira pessoa que acompanhava Nivaldo sacou uma arma de fogo e disparou contra o gerente. Os tiros atingiram a mão, o braço, a perna e as costas da vítima. Conforme a polícia, o atirador ainda tentou um disparo na cabeça de Wesley, mas a arma falhou.
Wesley foi socorrido e levado ao Hospital de Base do Distrito Federal, onde ficou internado por mais de 15 dias. Ele não resistiu aos ferimentos e morreu em 4 de dezembro de 2015, em consequência de uma parada cardiorrespiratória provocada pelos disparos.
Condenação e fuga
Nivaldo Gonçalves foi denunciado pelo Ministério Público em março de 2016. Em outubro do mesmo ano, foi pronunciado, e a pronúncia foi confirmada pelo Tribunal de Justiça em fevereiro de 2017.
Submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri em maio de 2018, Nivaldo foi condenado pela prática de homicídio qualificado e porte ilegal de arma de fogo com numeração suprimida. A pena inicial foi fixada em 16 anos e 7 meses de reclusão em regime fechado. O mandado de prisão por condenação transitada em julgado foi expedido em outubro de 2019.
Desde então, Nivaldo vivia foragido e, conforme a ocorrência desta segunda-feira, estava estabelecido na região de Tijucas, em Santa Catarina.
Três presos e ninguém ferido
Diante de todo o cenário, os três homens envolvidos na ocorrência foram presos em flagrante. As acusações incluem disparo de arma de fogo, posse e porte ilegal de armas e munições, além do cumprimento do mandado de prisão por homicídio no caso de Nivaldo Gonçalves.
Os detidos foram encaminhados à delegacia de Itapema, onde os procedimentos legais foram realizados. Conforme a PMSC, não houve registro de feridos durante a ação policial.
O caso segue sob responsabilidade da Polícia Civil para os desdobramentos relativos aos crimes flagrados em Tijucas, enquanto Nivaldo Gonçalves ficará à disposição da Justiça para o cumprimento de sua pena.
