Mãe vai enterrar filha pela 2ª vez após crânio ser furtado para ritual de magia negra em SC

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Tuani Cristina Alves vai precisar enfrentar novamente o momento mais doloroso da sua vida: enterrar a própria filha. Cinco meses depois de ter o túmulo da menina violado no Cemitério São João Batista, em Forquilhas, São José, na Grande Florianópolis, a mãe se prepara para realizar um segundo sepultamento de Talita, que morreu aos 7 anos após lutar por quatro anos contra um câncer cerebral.

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O crânio da criança foi furtado em 31 de outubro de 2025, apenas 49 dias após a morte da menina. Conforme a Polícia Militar de Santa Catarina, o suspeito foi preso em flagrante no mesmo dia, dentro de um estabelecimento comercial na Avenida Antônio Jovita Duarte, esquina com a Rua Zenaide Santos de Souza, em Forquilhas. Na mochila dele, os policiais encontraram o crânio em avançado estado de decomposição, com restos de cabelo e tecido, além de uma imagem de santa.

O homem, identificado como Wellington Cesar de Souza Leite, de 29 anos, confessou aos agentes que havia retirado o crânio do cemitério para realizar um “assentamento”, um tipo de ritual de magia negra, segundo relatou aos policiais. Apesar da prisão em flagrante, Wellington foi liberado na audiência de custódia.

A PMSC deu voz de prisão ao suspeito ainda na noite do flagrante. Os policiais acompanharam Wellington até o Cemitério São João Batista, onde ele indicou o ponto exato de onde havia retirado o material. No local, a guarnição encontrou duas covas semiabertas, com sacos pretos e fragmentos ósseos aparentes. O crânio e a imagem religiosa foram apreendidos e encaminhados para análise pela Polícia Científica.

Como a mãe descobriu a violação

Talita faleceu em 13 de setembro de 2025, após enfrentar o câncer cerebral desde os 3 anos de idade. A menina foi enterrada inicialmente em uma gaveta na parte inferior do cemitério. No dia 30 de outubro, um dia antes da violação, Tuani abriu uma rifa nas redes sociais para arrecadar dinheiro e dar um túmulo adequado para a filha.

A mãe só soube do ocorrido quando viu a notícia de que um crânio havia sido furtado no mesmo cemitério onde Talita estava sepultada. O marido de Tuani foi até o local no dia 2 de novembro, Dia de Finados, levando flores. Ao chegar, ligou desesperado ao encontrar o túmulo todo quebrado.

Tuani tentou obter informações, mas o coveiro minimizou a situação. Segundo a mãe, ele apenas disse que havia feito boletim de ocorrência e que na segunda-feira iria lacrar o túmulo. Após muita insistência, uma amiga de Tuani chamou a polícia, que abriu o caixão e confirmou: o crânio de Talita havia sido levado.

Para piorar, a PMSC inicialmente informou que o crânio furtado pertencia a um homem. A informação foi retificada em seguida, mas o desencontro de dados agravou a angústia da família.

Cinco meses de espera e burocracia

Apesar de o crânio ter sido recuperado no mesmo dia do furto, a família precisou esperar cerca de cinco meses para poder realizar o novo sepultamento. O material ficou retido com a Polícia Civil para perícia. A Polícia Científica realizou exames de DNA e análise de características compatíveis com a idade da criança, confirmando que o crânio pertencia a Talita.

A situação só começou a andar quando o delegado Rodolfo Serafim Cabral assumiu o caso e pediu agilidade na liberação do material periciado.

“A gente perde o filho em terra e acredita que já acabou. Mas não, não acabou, porque 49 dias depois aconteceu o crime. E aí, quanto mais vai demorando para a gente é sofrido, como se tivesse perdido ela pela segunda vez, porque sabe que o corpo dela está ali, é o corpo, mas é um pedaço da gente”

O desabafo é de Tuani Cristina Alves, mãe de Talita.

Suspeito denunciado pelo Ministério Público

O Ministério Público ofereceu denúncia contra Wellington Cesar de Souza Leite com base no artigo 211 do Código Penal, que prevê pena de reclusão de 1 a 3 anos e multa para quem destrói, subtrai ou oculta cadáver ou parte dele. O caso agora tramita como ação penal na Justiça.

A Prefeitura de São José foi questionada sobre a falta de segurança no Cemitério São João Batista. Em nota, a administração municipal informou que segue trabalhando na manutenção e melhoria do local e que solicitou reforço de rondas da Guarda Municipal na região.

Até a última atualização, Tuani se preparava para realizar o segundo sepultamento da filha nesta semana. O caso segue em acompanhamento pela Justiça.

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