Justiça atende pedido do MPSC e autoriza exumação do cão Orelha em Florianópolis

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A morte do cão comunitário Orelha, na Praia Brava, em Florianópolis, ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (12). A exumação do corpo foi autorizada, conforme confirmou a Secretaria da Comunicação de Santa Catarina, que centraliza as informações oficiais do caso. O exame será realizado pela Polícia Científica.

O pedido partiu do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), que apontou necessidade de aprofundar as investigações após análise do inquérito policial e dos boletins de ocorrência circunstanciados já registrados. A data para a realização da perícia ainda não foi divulgada.

Orelha era conhecido por moradores e comerciantes da região turística. Segundo a investigação conduzida pela Polícia Civil, ele foi agredido no dia 4 de janeiro. No dia seguinte, foi encontrado ferido, socorrido por moradores e levado a atendimento veterinário, mas não resistiu.

Como não há imagens nem testemunhas do momento exato da agressão, a apuração se baseou em elementos indiretos. Um laudo veterinário apontou que a causa da morte foi um golpe na cabeça com objeto contundente.

O inquérito principal foi concluído em 3 de fevereiro. A Polícia Civil apontou um adolescente como responsável pelas agressões que resultaram na morte do animal e solicitou a internação dele. Três adultos também foram indiciados por suspeita de coação no curso do processo.

Dentro do Ministério Público, duas promotorias atuam no caso. A 2ª Promotoria de Justiça solicitou esclarecimentos específicos para apurar se houve coação relacionada à investigação da morte do cão e pediu novos depoimentos. Também se manifestou pela retomada do sigilo do processo, considerando o envolvimento indireto de adolescentes.

Já a 10ª Promotoria de Justiça requereu o aprofundamento de diligências ligadas a quatro boletins de ocorrência. Entre os pedidos estão a inclusão de vídeos relacionados a atos infracionais envolvendo cães e, no caso específico de Orelha, a exumação do corpo para realização de perícia direta, se viável.

Paralelamente, o MPSC determinou prazo de 20 dias para que a Polícia Civil refaça depoimentos e complemente outro inquérito, que apura uma discussão ocorrida na portaria de um condomínio na Praia Brava. Esse procedimento investiga três adultos por suspeita de coação no curso do processo e ameaça durante a investigação da morte de Orelha e de maus-tratos ao cão Caramelo.

Segundo a polícia, durante a discussão teriam sido mencionadas agressões e a morte de um cachorro. O Ministério Público ressalta que esse segundo inquérito não apura maus-tratos nem a participação de adolescentes, mas exclusivamente o possível conflito entre adultos e eventual prática de coação e ameaça.

Com a exumação autorizada, a expectativa é de que a perícia direta possa esclarecer pontos ainda controversos do caso e definir, com maior precisão, a dinâmica das agressões que levaram à morte de Orelha.

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