Ex-vereadora do PT que matou marido com tiro na cabeça enquanto ele dormia é absolvida em SC

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A ex-vereadora de Paial, no Oeste de Santa Catarina, Adriana Terezinha Bagestan, de 41 anos, foi absolvida pelo Tribunal do Júri da acusação de ter matado o marido, Sedinei Wawcziniak, com um tiro na cabeça enquanto ele dormia. A decisão foi tomada na noite de quarta-feira (11), após cerca de 12 horas de julgamento no Fórum da Comarca de Chapecó.

A morte ocorreu na madrugada de 6 de maio de 2025, na comunidade de Linha Aparecida, interior de Paial. Conforme a investigação, Sedinei, de 42 anos, foi atingido por um disparo na cabeça dentro da casa onde vivia com a esposa e os dois filhos do casal, então com 6 e 12 anos.

Segundo os autos, após o disparo, Adriana deixou a residência. Naquela noite, a Polícia Militar foi acionada, mas não a encontrou no local. Os policiais fizeram contato com o pai da ex-vereadora, que informou que ela havia deixado as crianças na casa de uma irmã e saído de carro. Dias depois, Adriana foi localizada em uma área rural de Chapecó, onde, conforme a apuração, estaria escondida. Ela foi presa preventivamente e permanecia detida desde então.

O julgamento foi presidido pela juíza Maria Luiza Fabris. Na acusação atuou o promotor de Justiça Michel Eduardo Stechinski.

Durante o julgamento, a defesa sustentou as teses de legítima defesa e de inexigibilidade de conduta diversa. Segundo os advogados, Adriana teria sido vítima de violência doméstica “velada” ao longo de cerca de 15 anos de relacionamento, com agressões físicas, psicológicas, morais e patrimoniais. De acordo com a tese apresentada aos jurados, esse contexto teria levado ao desfecho do caso.

A acusação, por sua vez, defendeu a condenação. Familiares de Sedinei acompanharam a sessão e realizaram manifestação em frente ao fórum, pedindo justiça. Eles contestaram a versão de violência contínua e argumentaram que não havia registros anteriores de boletins de ocorrência ou medidas protetivas contra a vítima.

Ao final, o Conselho de Sentença decidiu, por 4 votos a 3, pela absolvição da ex-vereadora. Com a leitura da sentença, Adriana foi colocada imediatamente em liberdade.

Eleita vereadora em 2020 pelo PT, Adriana havia declarado ao Tribunal Superior Eleitoral a ocupação de agricultora na época da candidatura.

Cabe recurso por parte do Ministério Público. O caso ainda pode ter desdobramentos na esfera judicial.

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