Se Jorge Seif continuará ou não como senador de Santa Catarina deixou de ser apenas uma decisão jurídica. Tornou-se um teste político e social sobre o que os catarinenses aceitam, rejeitam e toleram na representação que escolheram nas urnas.
O julgamento no Tribunal Superior Eleitoral foi suspenso até quinta-feira após o relator votar pela absolvição do senador, ao entender que não ficaram comprovados os abusos de poder econômico apontados na campanha de 2022. O voto afasta, por ora, a cassação, mas não encerra o julgamento. Outros ministros ainda irão se manifestar.
Esse cenário expõe uma contradição clara em Santa Catarina. De um lado, há forte resistência à interferência do Judiciário no resultado das urnas. Esse discurso é especialmente presente entre eleitores que se identificam como ‘de direita’.
Do outro lado, porém, há um desconforto político evidente. Desde que assumiu o mandato, Seif acumulou polêmicas, embates públicos e episódios que ampliaram sua rejeição. Esse desgaste não se limita a adversários. Alcança a grande maioria dos próprios eleitores que o apoiaram em 2022 e que hoje demonstram frustração ou distanciamento.
É nesse ponto que o caso ganha um tom ainda mais delicado. Para alguns catarinenses, inclusive entre antigos apoiadores, a eventual cassação não seria vista como ataque à democracia, mas como uma forma de “se livrar de alguém que não mais os representa”. Uma percepção que revela o tamanho da erosão política enfrentada pelo senador.
Seif, assim, enfrenta mais do que um tribunal. Enfrenta a opinião pública. Enquanto parte da sociedade vê na absolvição a preservação do voto, outra parcela interpreta a possível perda do mandato como consequência de escolhas, posturas e conflitos acumulados ao longo do tempo.
O paradoxo é evidente. Muitos rejeitam a cassação por princípio institucional, mas também não demonstram entusiasmo com a permanência do senador no cargo. Ele fica entre a cruz e a espada. Sob o crivo técnico dos ministros do TSE e sob o julgamento permanente de uma sociedade que cobra postura, coerência e resultados.
Se Seif sair absolvido ou perder o mandato, a pergunta continuará ecoando em Santa Catarina: manter esse senador é, de fato, o que os catarinenses querem hoje?

