‘Agro está em apuros’: Capital da Cebola, cidade catarinense decreta calamidade pública

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Vídeos que circulam nas redes sociais escancaram a crise enfrentada pelos produtores de cebola no Alto Vale do Itajaí. As imagens mostram incontáveis camadas de cebola jogadas fora em lavouras de municípios como Aurora, formando verdadeiros tapetes do produto no chão, mesmo em condições consideradas adequadas para consumo.

Os registros ganharam repercussão justamente no momento em que Ituporanga, reconhecida como a Capital Nacional da Cebola, anunciou a decretação de calamidade pública devido à forte queda no preço do produto. A decisão foi comunicada pelo prefeito Geison Kurtz, que afirmou que a medida busca garantir respaldo legal para renegociação de dívidas e apoio emergencial aos agricultores.

Segundo produtores, a cebola descartada nos vídeos é de boa qualidade, com perdas apenas superficiais causadas pelo sol. Ainda assim, não há compradores dispostos a pagar valores que cubram sequer os custos básicos da produção. Atualmente, o quilo da cebola vem sendo comercializado entre R$ 1 e R$ 1,20, patamar considerado inviável para a atividade.

A situação tem levado agricultores a optar pelo descarte do produto, já que o custo da colheita, transporte e comercialização supera o retorno financeiro. Nos vídeos, produtores questionam por que não há um pagamento mínimo que permita ao menos reduzir o prejuízo e relatam a indignação de ver alimento sendo jogado fora enquanto famílias do campo acumulam dívidas.

Ituporanga projeta colher cerca de 168 mil toneladas de cebola nesta safra, em uma área de aproximadamente 4.900 hectares, com produtividade média elevada. O problema, no entanto, não é a falta de produção, mas o excesso de oferta, que pressiona os preços em Santa Catarina e em estados vizinhos.

No cenário estadual, a safra catarinense caminha para um recorde de 597 mil toneladas. Apesar do volume histórico, o valor total da produção caiu de forma significativa na última temporada, refletindo diretamente na renda dos agricultores.

Com o decreto de calamidade pública, o município de Ituporanga tenta abrir caminhos legais para aliviar os efeitos da crise e fortalecer a articulação com governos e instituições financeiras. Enquanto isso, as imagens de cebolas descartadas seguem como símbolo visível de uma safra farta, mas marcada pelo prejuízo e pela incerteza no campo.

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