O fiscal acusado de agredir um adolescente de 17 anos no calçadão da Avenida Central, em Balneário Camboriú, apresentou ao Jornal Razão sua versão dos fatos após a repercussão do caso. Segundo o relato, ele afirma que vinha sendo ameaçado pelo jovem e por familiares desde dezembro e alega ter agido em legítima defesa durante a abordagem registrada em vídeo.
De acordo com o servidor, ele atua na fiscalização de atividades urbanas no calçadão, com foco em alvarás, publicidade irregular e vendedores ambulantes. Conforme sua versão, desde o dia 23 de dezembro a família do adolescente estaria vendendo morangos na região do Atlântico Shopping. Segundo ele, a orientação inicial era para que não permanecessem parados no local, mas circulassem, justamente para evitar a apreensão da mercadoria.
O fiscal afirma que a situação se agravou após uma denúncia feita por um gerente de supermercado, quando houve apreensão de morangos. Ele relata que, naquele dia, a vitrine de uma loja teria sido sujada com a fruta e que, a partir desse episódio, passou a ser ameaçado pelo adolescente. Segundo o servidor, as ameaças incluíam frases como “vou te matar” e “vou te pegar na rua”, além de referências ao local onde o jovem mora.
Ainda conforme o relato, em outra ocasião o adolescente teria arremessado uma caixa de morangos contra ele, causando ferimentos no rosto que teriam deixado cicatriz. O fiscal afirma que comunicou os episódios a superiores, mas que nenhuma providência teria sido tomada para garantir sua segurança.
Sobre a agressão que ganhou repercussão nas redes sociais, o servidor diz que, horas antes, havia orientado uma parente do adolescente a deixar o local, o que teria ocorrido sem conflito. Mais tarde, ao retornar pelo calçadão, ele afirma que foi provocado pelo jovem, que teria se aproximado de forma debochada e iniciado contato físico, empurrando-o.
Segundo o fiscal, ele tentou se afastar e pediu para que o adolescente não encostasse nele. Ele sustenta que reagiu apenas quando o jovem avançou novamente, temendo uma nova agressão. “A hora que ele veio pra cima de mim, eu acertei a maleta dele”, alega.
O servidor também afirma que existem outros vídeos em que o adolescente aparece fazendo ameaças e que essas imagens teriam sido encaminhadas a superiores. Segundo ele, o material divulgado nas redes sociais mostra apenas parte da situação e não retrata o histórico de conflitos e intimidações que, conforme sua versão, vinham ocorrendo há semanas.
Apesar do relato apresentado pelo fiscal, a Prefeitura de Balneário Camboriú informou oficialmente que não tolera qualquer tipo de violência e determinou a demissão imediata do servidor envolvido, assim que tomou conhecimento das imagens da agressão. O município não comentou as alegações de ameaças feitas pelo fiscal.
O adolescente compareceu à delegacia acompanhado da mãe e registrou boletim de ocorrência. O caso segue sob apuração pelas autoridades, que devem analisar as imagens, os relatos das partes envolvidas e eventuais registros anteriores para esclarecer as circunstâncias do episódio.

