Vídeos divulgados nas redes sociais colocaram Porto Belo (SC) no centro de um debate incômodo sobre a manutenção das praias do município. As imagens mostram turistas recolhendo galhos, algas e outros resíduos naturais acumulados na faixa de areia, em uma cena que chamou atenção não apenas pelo gesto, mas pelo contexto em que ocorre.
Os registros indicam que o acúmulo de material orgânico não é pontual. Moradores afirmam que a situação se repete há dias, sem uma resposta visível por parte da administração municipal. A falta de limpeza regular tem gerado desconforto entre banhistas e levantado questionamentos sobre a prioridade dada à conservação da orla, principal cartão postal da cidade.
Em um dos vídeos que ganharam repercussão, um guia turístico estrangeiro aparece realizando a limpeza por conta própria. A cena, que rapidamente circulou em grupos e perfis locais, foi interpretada por muitos como um constrangimento para um município que depende diretamente do turismo e da boa imagem de suas praias.
Comerciantes relatam que a percepção de descuido afasta visitantes e impacta o movimento em bares, restaurantes e meios de hospedagem. Segundo eles, turistas que se deparam com a praia em más condições acabam optando por destinos vizinhos, considerados mais organizados.
Para moradores, o problema não é a existência do fenômeno, mas a demora na resposta. Segundo um comerciante: “Embora o surgimento de algas possa estar ligado a fatores naturais, como clima e variações marítimas, a crítica recorrente não se dirige à natureza, mas à ausência de uma ação mais ágil e constante do poder público”, afirmou.
Porto Belo construiu sua reputação com base em praias de águas calmas e paisagens preservadas. Justamente por isso, cresce a expectativa por uma postura mais ativa da prefeitura na gestão da orla. O episódio, além de expor o problema, reacende uma discussão inevitável sobre o cuidado com o principal patrimônio turístico da cidade e a capacidade de resposta do poder público.
A redação do Jornal Razão entrou em contato com o governo municipal de Porto Belo para buscar esclarecimentos sobre a situação registrada nas praias. No entanto, foi informada de que, em razão do recesso administrativo de fim de ano, não há expediente na prefeitura neste período.

