Um bebê de 11 meses luta pela vida após dar entrada em estado gravíssimo no Hospital Infantil Joana de Gusmão, no bairro Agronômica, em Florianópolis. Exames médicos confirmaram que a criança tinha ecstasy (MDMA) e metanfetamina no organismo. O caso terminou com a prisão dos pais e passou a ser tratado pela polícia como tentativa de homicídio. As informações são exclusivas do Jornal Razão.
A criança chegou ao hospital apresentando convulsões intensas, pupilas dilatadas e rebaixamento do nível de consciência. Pouco depois, sofreu uma parada cardiorrespiratória com duração aproximada de 10 minutos, sendo reanimada pela equipe médica da UTI pediátrica.
Segundo os profissionais de saúde, o bebê estava em iminente risco de morte no momento do atendimento.
Exames confirmaram drogas no organismo da criança
Após a estabilização inicial, foram realizados exames laboratoriais de sangue e urina, que apontaram a presença de anfetamina e ecstasy (MDMA) no corpo da criança. A equipe médica destacou que não se tratava de engasgamento nem de mal súbito comum.
“Os exames indicaram a presença de substâncias entorpecentes incompatíveis com qualquer situação normal para um bebê dessa idade”
O prontuário médico também revelou que a criança deixou de comparecer a consultas médicas previamente agendadas, fato considerado relevante pela equipe de saúde e que reforçou a suspeita de negligência reiterada.
Atuação rápida da Polícia Militar evitou a morte
O caso veio à tona quando uma guarnição da Polícia Militar, que se deslocava para atender outra ocorrência no Centro de Florianópolis, ouviu gritos de socorro e encontrou um casal com um bebê no colo.
Inicialmente, a mãe afirmou que a criança estaria engasgada. Um dos policiais chegou a iniciar a manobra de Heimlich, mas rapidamente percebeu que o bebê, na verdade, estava convulsionando.
“Logo foi percebido que não se tratava de engasgamento, mas de um quadro convulsivo grave”
Diante do risco iminente de morte, os policiais decidiram deslocar imediatamente com o bebê até o hospital, enquanto outra viatura conduziu a mãe. A decisão foi tomada devido ao estado de desespero dos pais, que poderia comprometer a segurança do trajeto.
Comportamento dos pais levantou suspeitas
No hospital, profissionais relataram que o pai, Katriel Gabriel Guevara Guevara, estava visivelmente alterado, possivelmente sob efeito de substância psicoativa. Ele utiliza tornozeleira eletrônica.
Tanto ele quanto a mãe, Zulay Beatriz Angulo Parra, negaram ter oferecido ou administrado qualquer tipo de droga ao filho.
“Eu não dei nenhuma substância para o meu filho”, afirmou o pai aos policiais
Apesar das negativas, os laudos médicos, o estado clínico da criança e o histórico de faltas em consultas médicas pesaram na avaliação policial.
Pais presos e Conselho Tutelar acionado
Diante dos indícios de autoria e materialidade, os pais receberam voz de prisão em flagrante, enquadrados, em tese, pelo crime de homicídio doloso na modalidade tentada, além de possíveis crimes de maus-tratos e tráfico de drogas com agravante por envolver criança.
O casal possui outros quatro filhos menores, que estavam sob os cuidados de terceiros em um hotel no Centro da cidade. O Conselho Tutelar foi acionado imediatamente para verificar a situação das demais crianças e adotar medidas de proteção.
Estado de saúde e investigação
O bebê permanece internado sob cuidados intensivos. O quadro ainda inspira atenção, mas os médicos consideram que a intervenção rápida da Polícia Militar e da equipe hospitalar foi decisiva para evitar uma tragédia.
A investigação segue em andamento e busca esclarecer como as drogas chegaram ao organismo da criança, se houve administração direta, exposição indireta ou omissão consciente por parte dos responsáveis.

