Homem é condenado a mais de 69 anos por matar ex-namorada e manter crianças reféns em SC

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A Justiça de Chapecó definiu uma das penas mais duras já aplicadas no município em casos de violência contra a mulher. O homem acusado de tirar a vida de Samara Greiner da Silva, 25 anos, foi condenado nesta quarta-feira (12) a 69 anos, 2 meses e 12 dias de prisão, em regime fechado. A sentença inclui feminicídio qualificado, cárcere privado de duas crianças e porte ilegal de arma de fogo.

Segundo o processo, tudo começou na noite de 22 de fevereiro, quando o réu, já proibido judicialmente de se aproximar da jovem, teria ignorado a medida protetiva e escalado a fachada do prédio onde ela morava, no bairro Vila Real. Ele entrou no apartamento e manteve as sobrinhas de Samara, de 3 e 10 anos, trancadas em um cômodo. A mais velha foi obrigada a mandar uma mensagem para a tia, supostamente pedindo ajuda.

Ao retornar para casa, Samara foi recebida em uma emboscada. A investigação aponta que ela levou pelo menos quatro tiros, um deles no rosto. O ataque durou pouco mais de um minuto. Após os disparos, o agressor fugiu em direção ao interior de Xanxerê.

Ciúmes e ameaça constante

De acordo com a apuração policial, o crime teve como motivação o fim do relacionamento. Os dois haviam se separado no início de fevereiro, após cerca de três anos juntos. A partir disso, o homem teria iniciado uma série de ameaças por mensagens, chegando a dizer que divulgaria vídeos íntimos da ex-companheira. Por medo, Samara registrou boletim de ocorrência e pediu a medida protetiva, concedida dias depois.

A jovem chegou a alertar vizinhos em um grupo do condomínio, supostamente temendo que ele tentasse entrar no prédio. Mesmo assim, o autor invadiu o local na noite do crime.

Captura no interior e confissão

A prisão aconteceu quase dois dias depois, em 24 de fevereiro. O homem foi encontrado escondido na propriedade de um tio, na Linha Perau das Flores, área rural de Xanxerê, com apoio de helicóptero do Saer. No local, havia munições. A arma usada no crime foi localizada mais tarde na casa da mãe do suspeito, dentro de uma fossa, ao lado de um pacote de drogas.

Em depoimento, o réu admitiu ter cometido o crime movido por ciúmes e pela suspeita — nunca comprovada — de uma traição.

Caso chocou Chapecó

Na época, o delegado Deonir Moreira classificou o assassinato como “um dos mais violentos do ano” na cidade. A Polícia Civil ainda aguarda o laudo oficial da necropsia para confirmar o número exato de disparos.

Samara deixa um filho de 10 anos.

A condenação reforça a gravidade do caso e a resposta da Justiça a um crime que mobilizou toda a comunidade.

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