Mensagens internas de grupos oficiais da Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC) mostram que a comandante de um Batalhão de Polícia Militar na Grande Florianópolis teria ameaçado explicitamente com processo administrativo disciplinar (PAD) os policiais que repassassem informações públicas sobre ocorrências ao Jornal Razão.
Nos prints obtidos pela reportagem, a oficial determina que nenhum militar repasse informações ao Jornal Razão, sob pena de punição. Em uma das mensagens, a comandante afirma de forma explícita: “Vamos tentar emplacar no Jornal de Meio-Dia. Se sair no Jornal Razão antes de sair do nosso P5, vai dar PAD.”
O conteúdo gerou revolta e indignação entre os praças e oficiais, que veem a atitude como um ato de censura e perseguição contra quem tenta mostrar à população o trabalho real feito nas ruas. Policiais relatam que a comandante teria favorecido uma emissora de televisão conhecida por sua linha editorial progressista e por frequentemente retratar a Polícia Militar de forma negativa, expondo casos isolados para desconstruir a imagem da corporação diante da sociedade.
Em uma das mensagens, a oficial chega a instruir os subordinados a “tentar emplacar a matéria no jornal de meio-dia”, evidenciando o direcionamento preferencial do fluxo de informações. Segundo os relatos, quem envia material ao Jornal Razão é ameaçado, mas quem abastece a emissora de TV alinhada ao comando é incentivado.
Praças falam em censura e favorecimento
O clima entre os policiais é de indignação. Muitos afirmam que a medida tenta calar quem ajuda a mostrar o lado humano da farda e a moralizar a imagem da corporação junto à população.
“É revoltante. Para a televisão que vive atacando a PM, pode mandar, mas se sair no Razão, dá PAD. Estão perseguindo quem defende a instituição e favorecendo quem quer destruí-la”, relatou um militar sob anonimato.
A denúncia reacende o debate sobre a falta de transparência dentro da PMSC e o uso da hierarquia como instrumento de controle e silenciamento. O episódio mostra um abismo cada vez maior entre o comando e a tropa, que cobra respeito, liberdade e coerência nas ações de comunicação da própria corporação.
Velha imprensa privilegiada, imprensa policial censurada
Enquanto o Jornal Razão, veículo 100% pró-polícia e comprometido em valorizar o trabalho dos militares catarinenses, é alvo de bloqueios e ameaças, a velha imprensa segue com acesso privilegiado a informações e imagens exclusivas, muitas vezes usadas de forma tendenciosa.
O caso expõe uma tentativa explícita de enfraquecer a imprensa independente e alinhada à tropa, beneficiando meios que já demonstraram, repetidas vezes, interesse em manchar a imagem da Polícia Militar de Santa Catarina.
A crise gerada dentro da corporação reforça o sentimento de que quem está nas ruas defendendo a população é, mais uma vez, silenciado — inclusive por quem deveria protegê-lo.
