“Para que nunca sejam esquecidas”: a atitude heroica das professoras de Saudades

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Hoje, Dia do Professor, Santa Catarina precisa se lembrar de duas mulheres que transformaram o instinto de proteger em um ato de heroísmo.

Em tempos em que a fama se mede por curtidas e influenciadores promovem o “tigrinho”, é preciso voltar os olhos para quem realmente inspira, aquelas que deram a vida por outras vidas.

Em 4 de maio de 2021, a Creche Aquarela, na pequena cidade de Saudades, viveu uma das maiores tragédias da história de Santa Catarina. Um jovem de 18 anos invadiu a unidade com duas facas e assassinou três crianças e duas mulheres: a professora Keli Adriane Aniecevski, de 30 anos, e a agente educacional Mirla Renner, de 20.

Keli foi a primeira atacada, mas, mesmo ferida, ainda correu para tentar proteger as crianças que estavam sob seus cuidados. Tentou se trancar numa sala, junto de Mirla e quatro pequenos. Foi o último gesto de uma professora que, como descreveram os amigos, “sempre dava o seu melhor. Até o fim”.

Mirla, estudante de engenharia química na Udesc, também tentou impedir o avanço do assassino. Sua coragem ecoou pelas paredes da creche, e a atitude das demais funcionárias, que se trancaram com as crianças em outras salas, evitou que a tragédia fosse ainda maior.

Deram a vida para salvar as crianças”, disse Edna Dessoy, mãe de um dos pequenos sobreviventes. Palavras simples, mas que carregam um peso que o tempo não apaga.

Quatro anos depois, Saudades ainda chora, mas também se orgulha. Porque em meio ao horror, surgiram exemplos de amor, coragem e entrega. Keli e Mirla não são apenas nomes de uma tragédia. São símbolos da vocação que move milhares de professores que, todos os dias, cuidam, protegem, ensinam e enfrentam o impossível, muitas vezes sem reconhecimento, salário digno ou segurança.

Neste 15 de outubro, mais do que flores e homenagens, fica a reflexão: que país é esse que celebra professores uma vez por ano, mas se esquece de protegê-los todos os dias?

As heroínas de Saudades não morreram apenas por suas crianças. Morreram pela profissão que escolheram amar, mesmo quando o mundo parece não merecer tanto amor.

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