Cidade de SC decreta emergência após mar ‘engolir’ praia e avançar sobre casas

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Imóveis, praias e ruas de Barra Velha, no Litoral Norte de Santa Catarina, foram severamente atingidos por um processo de erosão costeira provocado por fortes ressacas marítimas entre a semana passada e o fim de semana. A força do mar destruiu trechos da orla, ameaça moradias e levou a prefeitura a decretar estado de emergência por 180 dias.

De acordo com o decreto nº 2.262/2025, os efeitos da ressaca causaram danos à infraestrutura costeira, erosão acentuada em orlas e riscos a edificações próximas ao mar, além de bloqueios recorrentes de vias. Os pontos mais críticos são a Praia da Península e a Praia das Pedras Brancas e Negras, que, segundo o município, apresentam “risco muito alto” de colapso.

O decreto autoriza a adoção de medidas imediatas de intervenção, priorizando ações emergenciais nas áreas mais vulneráveis à ação marítima. Entre as medidas previstas estão a contratação de obras emergenciais de contenção costeira, reparos estruturais em trechos danificados e recomposição de orlas afetadas.

A prefeitura informou ainda que busca apoio técnico e financeiro junto ao Governo do Estado e à União para acelerar os trabalhos e minimizar os prejuízos. A homologação do decreto estadual é aguardada para permitir a liberação de recursos de forma mais ágil.

Projeto de contenção com molhes

O município de Barra Velha também protocolou junto ao Instituto de Meio Ambiente (IMA) um projeto de instalação de molhes nas praias do Grant e das Pedras Brancas e Negras, medida que busca reduzir a intensidade dos processos erosivos.

Os estudos técnicos foram contratados há cerca de um ano e incluem análise de correntes e marés monitoradas ao longo de 12 meses. Atualmente, o projeto está na fase de licenciamento ambiental, que pode levar até dois anos para ser concluído.

Situação crítica se repete em outras cidades

Além de Barra Velha, outras três cidades do Litoral Norte catarinense enfrentam o mesmo problema e também decretaram situação de emergência. São Francisco do Sul foi a primeira, em junho, seguida por Balneário Barra do Sul e Itapoá, em agosto. Todas as medidas têm validade de 180 dias.

A Defesa Civil de Santa Catarina monitora os pontos de risco e alerta para que moradores evitem áreas próximas à orla durante períodos de ressaca. Técnicos reforçam que os fenômenos climáticos extremos — potencializados pelas mudanças no regime de ventos e marés — têm acelerado o avanço do mar sobre áreas urbanizadas do litoral catarinense.

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