A madrugada sangrenta que marcou a comunidade da Costeira do Pirajubaé, em Florianópolis, teve um desdobramento importante na Justiça. A mulher que esfaqueou um vizinho no pescoço, logo após receber a notícia da morte do filho em confronto com a Polícia Militar, obteve o direito de responder em prisão domiciliar.
Tragédia em sequência
A decisão veio depois de um episódio marcado por sucessivas violências. O filho da mulher, Antônio Danilo da Silva Xavier, foi levado por integrantes do crime organizado e acabou morto em confronto com o Tático da Polícia Militar. No mesmo confronto, também foi morto Rafael Rosa da Silva, conhecido como Rafinha, apontado como “disciplina” da facção criminosa que atua na região.
A morte de Danilo representou a quinta perda da mãe, que já havia enterrado outros quatro filhos.
O fato que deu origem a toda a sequência de violência, segundo os relatos dos envolvidos, teria o esfaqueamento de um traficante por parte de um jovem, supostamente incomodado com o barulho vindo da biqueira em frente à casa da família.
Após a confirmação do óbito, o vizinho Anderson de Souza Machado — pai do rapaz que teria esfaqueado um traficante, dando início à confusão que desencadeou toda a tragédia — teria ido até o local supostamente armado e exaltado.
Testemunhas relataram que Anderson gritava ameaças contra a família enlutada. A mulher alega que ele disse que mataria o outro filho dela. Nesse momento, tomada pelo desespero, ela desferiu uma facada no pescoço de Anderson, que foi socorrido em estado gravíssimo.
Defesa invoca legítima defesa e luto
Na audiência de custódia, a defesa sustentou que ela agiu em legítima defesa, motivada pelo instinto materno de proteger o filho sobrevivente. O advogado destacou ainda que a mulher não possui antecedentes criminais, é aposentada por invalidez e enfrenta histórico de vulnerabilidade.
“O descontrole emocional diante da perda de cinco filhos precisa ser considerado. Ela agiu em meio ao caos, sem proteção do Estado, e acreditou que o próximo a morrer seria o filho dela”, afirmou o defensor.
Decisão da Justiça
A juíza plantonista homologou o flagrante, mas rejeitou o pedido do Ministério Público para converter a prisão em preventiva. Em sua decisão, entendeu que a prisão domiciliar é suficiente diante da condição da ré, de seu estado de saúde e da situação de luto.
A magistrada autorizou que a mulher deixe a residência apenas para acompanhar o sepultamento do filho. Fora disso, deverá permanecer em casa até nova deliberação judicial.
Internado no Hospital Governador Celso Ramos, Anderson passou por cirurgia de emergência após ter a artéria carótida atingida. Seu estado de saúde continua crítico, com risco de sequelas irreparáveis.
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