Itajaí quase viveu uma tragédia sem precedentes em 2 de fevereiro de 1965.
Naquele dia de verão, moradores se preparavam para celebrar o dia de Nossa Senhora dos Navegantes com procissão no rio e barcos enfeitados.
O clima era de festa. A cidade tinha pouco mais de 60 mil habitantes e a região do bairro Cordeiros concentrava os principais tanques de combustível que abasteciam o litoral norte catarinense e parte do Paraná.
Durante o abastecimento dos tanques pelo navio Petrobrás Norte, onde trabalhava Odílio Garcia, ocorreu um acidente assustador.
A mangueira que transferia o gás teria se soltado, provocando uma explosão imediata e formando uma grande bola de fogo no céu.
As vidraças de casas e comércios quebraram com o impacto.
O cenário ficou desesperador. Caso o navio explodisse por completo, o fogo poderia se espalhar para outros navios atracados, tanques terrestres e até alcançar o centro da cidade.
As famílias entraram em pânico. Muitos abandonaram suas casas às pressas e buscaram abrigo em locais mais altos, como o Morro da Cruz e Cabeçudas.
Enquanto a cidade se esvaziava, um pequeno grupo de trabalhadores tentou reagir.
Entre eles estava Odílio Garcia, responsável pelo bombeamento de gás.
Era filho de Cândido Antônio Garcia (Doca) e Zulmira Garcia, nascido em 25 de julho de 1930, na divisa entre Porto Belo e Tijucas.
Odílio percebeu que a única forma de evitar uma explosão ainda maior era fechando manualmente as válvulas de gás dentro do navio em chamas.
Foi exatamente o que ele fez.
Sem hesitar, entrou em meio às chamas, alcançou as válvulas e conseguiu interromper o fluxo de gás que alimentava o fogo.
Logo depois, se jogou no rio tentando se salvar.
Ele foi resgatado com queimaduras em 90% do corpo e levado ao Hospital Marieta Konder Bornhausen.
Mesmo com todos os esforços médicos, Odílio faleceu no dia seguinte.
Seu gesto impediu que as chamas se espalhassem por toda a região portuária.
E salvou milhares de vidas.
Até hoje, o nome de Odílio Garcia é lembrado como sinônimo de coragem e amor pela cidade.
Foi um ato heroico silencioso, mas que marcou para sempre a história de Itajaí.

