Um casal suspeito de cometer um crime brutal em Itajaí foi preso em Pradópolis (SP) após uma operação conjunta entre as polícias de Santa Catarina e São Paulo. O caso envolve a morte de Rogério Franciskini, de 50 anos, dono de um conjunto de kitnets, encontrado com múltiplas facadas no dia 14 de agosto. O episódio chocou pelo contexto, já que além da fuga em um carro da vítima, o casal levava junto o filho de apenas um ano e meio.
O crime em Itajaí
Segundo a investigação, o crime ocorreu na noite de quarta-feira (13). Rogério, que já tinha passagens pela polícia, estava usando drogas com os inquilinos quando foi atacado. Lucas, natural de Sergipe, confessou ter desferido as facadas. Inicialmente, chegou a afirmar não saber o motivo do homicídio: “Ah cara, eu não sei por que que eu matei ele”, disse em depoimento. Em outro trecho, detalhou: “Dei uma no coração… não contei, mas foram umas três”.
A versão da companheira, uma jovem de 20 anos natural de Brasília, acrescenta que estava em casa cuidando do filho quando ouviu gritos. Segundo ela, Lucas saiu do local ensanguentado e teria assumido: “Eu matei o cara”. A mulher declarou que apenas pegou os documentos e roupas a pedido do companheiro e entrou no carro da vítima para fugir.
A prisão em São Paulo
O casal deixou Itajaí em direção a outro estado. A Polícia Civil catarinense compartilhou informações com forças de segurança de todo o país, até que a Polícia Rodoviária Estadual de São Paulo identificou o veículo Onix azul em Pradópolis. Houve tentativa de fuga, que terminou em acidente. Dentro do carro estavam o casal e o filho pequeno. Ninguém ficou ferido. Ambos foram presos e conduzidos à delegacia paulista.
O delegado de Repressão a Roubos de Itajaí destacou que o crime foi enquadrado como latrocínio, já que houve roubo seguido de morte: “Obtivemos a prisão preventiva desse casal. Ele assume que matou a vítima, sem apontar uma motivação clara. Tudo indica que a motivação foi patrimonial, até porque houve subtração do veículo”.
Contradições nos depoimentos
Nos depoimentos, Lucas e a companheira divergiram em alguns pontos. O homem chegou a citar a participação de uma terceira pessoa, identificada apenas como “peruano”, que também teria desferido facadas. A polícia, no entanto, ainda não confirmou a existência desse envolvido. Para o delegado, a versão não afasta a autoria de Lucas, já que o próprio confessa ter cometido o homicídio.
Enquanto o marido assume o ataque, a jovem insiste que não presenciou o crime: “Na hora que eu cheguei no carro ele tava com as mãos cheias de sangue. Perguntei o que tinha acontecido e ele falou: ‘eu matei o cara’. Eu pedi pra ir na delegacia, mas ele não me escutou”.
A criança e os próximos passos
O filho do casal, de um ano e meio, foi entregue ao Conselho Tutelar e deve ser encaminhado a familiares. O casal segue detido preventivamente e pode enfrentar pena por latrocínio, crime que prevê reclusão de 20 a 30 anos. O inquérito policial tem prazo inicial de dez dias para ser concluído, período em que será analisada a possível participação de um terceiro suspeito.
O caso, além de expor a frieza da confissão e as contradições nos relatos, levanta questões sociais profundas. Uma criança foi exposta a drogas, violência e fuga policial, em meio a um dos crimes mais graves do Código Penal.

