‘Tinha pena dele, mesmo sendo ameaçada’: quem era mulher, assassinada pelo companheiro em SC

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Dalva Paterno da Silva, de 56 anos, foi brutalmente assassinada a facadas na tarde desta segunda-feira (4), dentro de casa, no bairro Figueira, em Gaspar, no Vale do Itajaí. O autor do crime é o ex-companheiro dela, Antonio Marcos da Silva, de 55 anos, que já tinha um histórico de violência doméstica, ameaças e descumprimento de medidas protetivas.

Apesar das denúncias e de uma ordem judicial que o proibia de se aproximar de Dalva, Antonio estava em liberdade. A medida protetiva havia sido expedida na sexta-feira (1º) e ele foi notificado oficialmente no sábado (2). Mesmo assim, voltou à casa dois dias depois e cometeu o crime.

A filha e a neta encontraram Dalva sem vida

Segundo informações, foi uma das filhas de Dalva quem encontrou o corpo da mãe, junto com a neta. Elas chegaram à casa e se depararam com a cena. Vizinhos ouviram os gritos e chamaram a polícia e o SAMU, mas quando o socorro chegou, a vítima já estava sem vida.

Depoimento da filha revela o sofrimento da família

Em conversa com o repórter Paulo Flores, uma das filhas do casal relatou que o pai vivia ameaçando a mãe, mesmo após a separação. “Ela tinha medida protetiva, mas ele não aceitava o fim do relacionamento. Meu pai sempre bebeu muito e, desde que eu era pequena, brigava com a minha mãe. Já a agrediu várias vezes”, contou.

A filha revelou ainda que, apesar de o pai manter certa convivência com os filhos, Dalva era quem sustentava a casa e trabalhava em dois empregos.Minha mãe era uma mulher querida, trabalhadora, só queria viver em paz. Ela tinha pena do meu pai, porque ele não tinha onde ficar. Os familiares dele, que moram em Balneário Camboriú, nem queriam saber dele. Mesmo assim, ela o ajudava. Agora eu só quero justiça”, desabafou.

O casal tinha três filhos, e a família convivia há anos com o ciclo de violência.

Histórico de denúncias

Dalva registrou pelo menos cinco boletins de ocorrência contra Antonio. Em 2024, o denunciou por descumprimento de medida protetiva, ameaças e agressões, inclusive contra menores. No último dia 30 de julho, cinco dias antes do crime, ela foi novamente à delegacia denunciar novas ameaças.

Antonio chegou a ser preso preventivamente em 2024, mas foi solto. Respondia pelos crimes de ameaça e descumprimento de medida protetiva (artigos 147 e 24-A da Lei Maria da Penha).

Buscas pelo suspeito

Após o assassinato, Antonio fugiu para uma área de mata próxima ao bairro. Testemunhas disseram que ele carregava uma corda, o que levanta a hipótese de suicídio, ainda não confirmada. A Polícia Militar mobilizou helicóptero, cães farejadores e o Pelotão de Patrulhamento Tático (PPT) de Blumenau para tentar localizá-lo.

Um feminicídio anunciado

O caso de Dalva escancara falhas graves no sistema de proteção a vítimas de violência doméstica. Mesmo com registros, histórico e ordem judicial recente, o agressor estava solto.

Com o assassinato de Dalva, Santa Catarina contabiliza seis feminicídios em apenas uma semana. A Polícia Civil abriu inquérito e segue com as investigações. O suspeito continua foragido.

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