Dalva Paterno da Silva, de 56 anos, foi brutalmente assassinada a facadas na tarde desta segunda-feira (4), dentro de casa, no bairro Figueira, em Gaspar, no Vale do Itajaí. O autor do crime é seu ex-companheiro, Antonio Marcos da Silva, de 55 anos, que já havia sido alvo de vários boletins de ocorrência por ameaça, violência doméstica e descumprimento de medidas protetivas. Mesmo com histórico criminal, ele estava em liberdade.
Segundo apurado pelo Jornal Razão, o feminicídio aconteceu apenas dois dias após Antonio ser oficialmente notificado da proibição judicial de se aproximar da vítima. A decisão havia sido expedida pela Justiça na sexta-feira (1º) e cumprida no sábado (2) pela Polícia Militar, que acompanhou o oficial de Justiça até a casa para o afastamento do agressor. Na ocasião, Antonio deixou o local sem resistência.
No entanto, nesta segunda-feira, ele retornou à residência e atacou Dalva com uma faca. O crime ocorreu em plena luz do dia. Vizinhos ouviram gritos desesperados vindo da casa e acionaram o socorro. Equipes do Samu e do Corpo de Bombeiros chegaram rapidamente, mas a vítima já estava sem vida. A Polícia Científica realizou os primeiros levantamentos no local.
Após o assassinato, Antonio fugiu em direção a uma área de mata e arrozeiras próxima ao bairro. Testemunhas afirmam tê-lo visto correndo com uma corda nas mãos, o que levanta a suspeita de que ele possa ter atentado contra a própria vida. A Polícia Militar mobilizou o helicóptero Águia, o Canil e o Pelotão de Patrulhamento Tático (PPT) de Blumenau para as buscas na mata, que seguiram ao longo da tarde.
Dalva havia registrado pelo menos cinco boletins de ocorrência contra Antonio. Em setembro e outubro de 2024, ela o denunciou por descumprimento de medida protetiva de urgência, ameaça e violência contra ela e contra menores. Em 2025, voltou à delegacia em 30 de julho, apenas cinco dias antes do crime, para relatar nova ameaça.
Antonio chegou a ser preso preventivamente em 2024 e teve passagem pela unidade prisional de Blumenau. Entretanto, teve a prisão revogada, manteve-se em liberdade e reincidiu nas ameaças. Os registros mostram que ele respondia pelos crimes previstos nos artigos 147 (ameaça) e 24-A (descumprimento de medida protetiva de urgência) da Lei Maria da Penha.
O caso escancara falhas graves no sistema de proteção às vítimas de violência doméstica. Mesmo com decisões judiciais, denúncias documentadas e histórico de reincidência, Antonio não estava preso e teve liberdade suficiente para voltar e cometer o feminicídio.
Com o assassinato de Dalva Paterno da Silva, Santa Catarina chega ao sexto caso de feminicídio em apenas sete dias.
A Polícia Civil abriu inquérito para apurar o caso e a PMSC segue com diligências para tentar localizar o autor, que permanece foragido. Equipes continuam a varredura na mata onde ele foi visto pela última vez. A possibilidade de suicídio está sendo considerada, mas não confirmada até o momento.
A reportagem do Jornal Razão acompanha o caso e trará atualizações assim que houver novidades sobre a captura ou localização do suspeito.
