O litoral de Santa Catarina viveu nesta semana um momento histórico para o surfe de ondas gigantes. O campeão mundial Lucas Chumbo, considerado um dos maiores big riders do mundo, desafiou o mar revolto de Jaguaruna, no Sul do Estado, e surfou o que já está sendo tratado por especialistas como a maior onda já registrada no Brasil, com estimativa de até 12 metros de altura.
A façanha aconteceu na quarta-feira (30), durante a passagem de um ciclone extratropical que provocou ressaca violenta e formou ondulações perfeitas na famosa Laje da Jagua, ponto que deu a Jaguaruna o apelido de “Nazaré Brasileira”. O local, uma formação rochosa submarina a cerca de 5 km da costa, é reconhecido por gerar ondas colossais, semelhantes às da cidade portuguesa de Nazaré, berço do surfe extremo mundial.
Chumbo, hexacampeão do Desafio de Nazaré e nome consolidado no circuito internacional, estava no sul da Bahia com a família quando recebeu o alerta de que a Laje estaria “encaixando”. Não pensou duas vezes: viajou 22 horas de carro até o Rio de Janeiro, de onde embarcou de avião rumo a Santa Catarina. “Foi um dia de swell que eu sempre sonhei… Já estava há muito tempo monitorando essa onda”, disse o atleta em suas redes sociais.
Ele chegou a entrar no mar na terça-feira (29), mas as condições climáticas ainda não eram ideais. Já na quarta, a força das ondas surpreendeu até mesmo os surfistas mais experientes. “Um swell diferenciado que tremeu a costa brasileira com uma força assustadora”, escreveu Chumbo.

As cenas desse dia memorável foram captadas por Gabriel Gomes (@imagensgabriel) e Jeferson Gralha (@gralhajeferson), fotógrafos especializados. Os vídeos e fotos viralizaram nas redes sociais e já são apontados como os registros mais impactantes do surfe nacional em 2025.
Nas imagens, é possível ver Lucas Chumbo despencando em uma parede líquida colossal, sendo rebocado por jet ski e encarando o momento com controle e coragem. A estrutura de apoio incluía equipe de resgate, pilotos experientes e monitoramento constante da previsão de ondas e ventos.
Thiago “Jacaré”, surfista local e um dos maiores nomes da Laje da Jagua, foi categórico: “Pode ter sido a maior onda já vista em águas brasileiras. Um dia histórico para o big surf nacional”, afirmou.

Jaguaruna supera Niterói e confirma liderança no surfe de ondas grandes
Até então, a Laje do Shock, em Itacoatiara (Niterói-RJ), era considerada o palco das maiores ondas já surfadas no Brasil. Em maio do ano passado, o surfista Felipe Cesarano, conhecido como “Gordo”, pegou uma onda de mais de 7 metros, com tubo completo, considerada uma das mais pesadas da história brasileira. Ela foi nomeada para o prêmio XXL Big Wave Challenge, uma das mais importantes premiações do surfe de ondas grandes no mundo.
Antes disso, em 2022, o surfista Gabriel Sampaio havia registrado o então recorde, também em Itacoatiara, com cerca de 6 a 7 metros. A onda de Lucas Chumbo, no entanto, supera ambas em altura e complexidade, marcando um novo capítulo no surfe nacional.

A força da Laje da Jagua
Desde 2022, Jaguaruna ostenta o título de Capital Nacional da Maior Onda do Brasil, concedido oficialmente. A Laje da Jagua é uma laje rochosa submersa que, em dias de ressaca extrema, forma verdadeiros paredões de água que podem ultrapassar os 15 metros. O fenômeno ocorre graças à topografia submarina única da região.
O local se tornou ponto obrigatório para surfistas de ondas grandes do Brasil e do mundo, que agora veem em Santa Catarina uma alternativa viável e perigosa às ondas de Nazaré, Portugal. “O Brasil tem sua própria Nazaré. E ela fica aqui, na Jagua”, escreveu um internauta ao assistir às imagens.
Com a façanha de Lucas Chumbo e a força do ciclone desta semana, Jaguaruna consolida de vez sua posição como o principal palco do surfe de ondas gigantes no Brasil. E a expectativa é que, com o avanço das previsões meteorológicas e o amadurecimento da comunidade de big riders, novos recordes ainda sejam quebrados na costa catarinense.


