Uma cena registrada por drone na Praia do Moçambique, em Florianópolis, provocou indignação nas redes sociais e acendeu um alerta entre ambientalistas: uma embarcação passou por cima da cauda de uma baleia-franca que nadava junto ao filhote, em plena temporada de reprodução da espécie no litoral catarinense.
O caso aconteceu no último dia 22 de julho e foi flagrado pelo fotógrafo e piloto de drone Eduardo Castro, do perfil @sobrevoarfloripa. Nas imagens, é possível ver a aproximação do barco e, logo em seguida, o casco da embarcação passando exatamente sobre o local onde estava a cauda do animal. O impacto exato não pode ser confirmado pelas imagens, mas o momento gerou apreensão e revolta.
“Foi frustrante. Eu estava na areia, gritando para o barco parar, mas ele continuou em cima delas. Tomara que o Ibama encontre a embarcação e tome as medidas cabíveis. É preciso cuidar da biodiversidade do nosso litoral”, relatou Eduardo em um comentário que repercutiu amplamente.
A publicação do vídeo nas redes sociais mobilizou milhares de internautas. A atriz Carolina Stofella foi uma das que se manifestaram: “DEIXEM OS ANIMAIS EM PAZ!!!!!!”, escreveu em caixa alta. Outros usuários pediram punição severa aos responsáveis e criticaram o comportamento humano diante da fauna marinha. “Deus que me perdoe, mas o ser humano faz uma cagada atrás da outra”, lamentou uma internauta.
Apesar do susto, segundo o autor do vídeo, as baleias aparentam estar bem. “Se machucou eu não sei, mas elas continuam aqui na Praia do Moçambique. Eu sigo monitorando”, respondeu Eduardo a uma seguidora preocupada.
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) confirmou que foi acionado e abriu investigação. O órgão tenta identificar a embarcação envolvida no episódio. A infração pode configurar violação à Lei Federal nº 7.643/1987, que proíbe o molestamento intencional de cetáceos, como baleias e golfinhos, em águas brasileiras.
A superintendência do Ibama em Santa Catarina reforçou que, mesmo que não haja intenção de ferir os animais, a simples aproximação indevida já representa risco. “A aproximação ou intervenção direta com cetáceos, ainda que motivada por boas intenções, pode representar riscos à integridade dos animais e à segurança das pessoas”, declarou o órgão em nota.
Durante a temporada de inverno, as baleias-franca (Eubalaena australis) migram para o litoral de Santa Catarina, especialmente para áreas protegidas como a Praia do Moçambique, para acasalar, dar à luz e amamentar seus filhotes. Essa migração é monitorada anualmente por biólogos e instituições ambientais.
No momento, está em curso a Operação Pirapuã, realizada pelo Ibama com apoio de outros órgãos, no âmbito do Plano de Ação Nacional para a Conservação da Baleia-Franca. A operação fiscaliza embarcações, redes fantasmas e práticas ilegais de pesca, além de orientar turistas e operadores náuticos sobre o convívio responsável com a fauna marinha.
Em meio à comoção, também surgiram opiniões divergentes. Uma seguidora sugeriu que, em casos como este, manter o motor desligado poderia ser a melhor atitude para não causar pânico ou acidentes: “Parece que a embarcação fez a coisa certa diante da aproximação delas”, escreveu.
A repercussão do caso reforça a importância da fiscalização e da educação ambiental. O litoral catarinense é um dos berçários naturais mais importantes para a espécie no Brasil, e a preservação das baleias-franca depende diretamente da atuação conjunta do poder público e da conscientização popular.
Até o momento, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) não se pronunciou sobre o caso. As investigações seguem sob responsabilidade do Ibama.

