A recaptura de Hanatan dos Santos Porto, de 30 anos, nesta terça-feira (8), marca um capítulo crucial em uma história criminal que se estende por mais de uma década em Santa Catarina. Com condenações por homicídio qualificado e tráfico de drogas, passagens por estupro de vulnerável e uso de identidade falsa, Hanatan voltou à prisão após ser apontado como um dos envolvidos na chacina que vitimou quatro pessoas em São João Batista, em maio de 2025.
O nome de Hanatan apareceu pela primeira vez em 2009, quando ainda era adolescente. Na época, foi investigado por suposto estupro de uma criança em Tijucas (SC). O pai da vítima procurou a polícia após encontrar sangue no banheiro e ouvir do filho frases repetitivas como: “O Hanatan vai me dar um passarinho”. Apurações do Conselho Tutelar e da escola apontaram que Hanatan e outro adolescente cercavam e assediavam outros meninos, o que reforçou as suspeitas.

Poucos anos depois, já adulto, ele se mudou para o Oeste de Santa Catarina e passou a usar nomes falsos para escapar de possíveis mandados de prisão. Em 2013, foi flagrado perturbando o funcionamento de uma escola em Xanxerê. Usava documentos em nome de Lucas Geiseu Azevedo, mas acabou identificado como Hanatan dos Santos Porto. Ao ser descoberto, alegou que usava nome falso por temer prisão relacionada ao caso de estupro em Tijucas.
O crime mais grave até então ocorreu em abril de 2014, quando o corpo do adolescente Maurício da Silva Camargo, de 14 anos, foi encontrado com lesões na cabeça e um corte profundo no pescoço, em um terreno baldio em São Lourenço do Oeste. Segundo o relato do irmão da vítima à polícia, Hanatan vivia com Maurício e outros adultos em uma casa compartilhada onde havia consumo de drogas. A autoria do crime foi inicialmente atribuída a um terceiro, Luiz Carlos Garipuna, mas a Justiça concluiu que Hanatan participou ativamente da execução.

O julgamento ocorreu em 15 de abril de 2016, no Fórum de São Lourenço do Oeste. Hanatan foi condenado a 14 anos e oito meses de reclusão por homicídio duplamente qualificado — por motivo fútil e meio cruel — e mais 6 anos por tráfico de drogas qualificado por envolver adolescente, totalizando 20 anos e 8 meses de prisão em regime fechado, além de 600 dias-multa. Mesmo com esse histórico, recebeu o benefício da saída temporária em 25 de maio de 2024. Não retornou, sendo oficialmente considerado foragido a partir de 1º de junho daquele ano.

Pouco mais de um ano depois, em 17 de maio de 2025, um novo crime brutal chocou o estado. Moradores do bairro Timbézinho, em São João Batista, ouviram gritos e uma explosão. O Corpo de Bombeiros encontrou um Corsa em chamas com quatro corpos carbonizados no porta-malas. As vítimas eram:
- Gabriel de Azevedo Pereira (20, de Tijucas)
- Gabriel Salomão de Sousa (19, de Porto Alegre)
- Guilherme Bittencourt (18, de Gravataí)
- Tieisson Ramon de Oliveira (36, de Estância Velha)
Todos estavam desaparecidos havia dias. Investigações revelaram que os quatro homens foram atraídos até um ponto de tráfico no fim da estrada municipal, onde foram torturados, esfaqueados e mortos. Os criminosos tentaram ocultar vestígios, colocaram os corpos no carro e atearam fogo usando gasolina. Imagens de câmeras ajudaram a identificar veículos usados para apoio na fuga dos autores.
Dois dos suspeitos, Claudiomiro Rodrigues Teodoro (“Alemão”) e Pablo Manso Bandeira (“Pablinho”), foram presos dias após o crime. Ambos têm origem no Rio Grande do Sul e, segundo a polícia, atuavam diretamente na logística e na execução do plano. Hanatan, que estava foragido desde a saidinha em 2024, foi apontado como um dos executores.
Ele foi finalmente localizado em Barra Velha, no Litoral Norte, nesta terça-feira, 8 de julho de 2025, num excelente trabalho dos investigadores da Polícia Civil de Balneário Piçarras com apoio de São João Batista. Estava escondido no bairro São Cristóvão. A recaptura é considerada estratégica para o avanço das investigações da chacina, que já é tratada como um dos crimes mais violentos do ano em Santa Catarina.
Com três presos e dois foragidos, a Polícia Civil segue com diligências e pedidos de apoio da população. Denúncias anônimas podem ser feitas pelo 181 ou pelo WhatsApp (48) 98844-0011. O sigilo é garantido.

