O culto realizado na noite deste domingo (29) em Joinville (SC) era, inicialmente, um pronunciamento aguardado. A convocação foi feita dias antes pelo próprio líder da igreja, em áudio compartilhado por grupos de membros. A expectativa era alta: ele prometia dar sua versão sobre vídeos, fotos e acusações que vinham circulando nas redes sociais, sugerindo um suposto caso extraconjugal e até irregularidades financeiras envolvendo a liderança religiosa.
Logo no início do culto, o pastor se dirigiu aos fiéis:
“Estão me ouvindo, igreja?”
Com a confirmação da assembleia, ele seguiu:
“Não vou aumentar nem diminuir. Todos receberam os vídeos. Eu não tenho o que inventar.”
Em tom emocionado, completou:
“A verdade é uma só.”
Durante sua fala, ele afirmou que vem sendo atacado sem direito de defesa. Disse que parte das acusações que circulam não seriam verdadeiras e que se vê como vítima de uma campanha movida por perfis anônimos e supostos espiões.
“Colocaram alguém para me seguir, me filmar, me fotografar… covardemente. Eu fui julgado e punido sem me deixarem falar.”
Com a voz embargada, disse que procurou orientação jurídica:
“Conversei com dois advogados, deixei eles de prontidão. Pela lei qualquer divulgação na internet dá cassação, dá danos morais e um monte de processo, uma montoeira de coisa. Não quero prejudicar ninguém, mas também não quero ser prejudicado. São quinze anos jogados numa vala, no lixo.”
O pronunciamento, no entanto, não foi suficiente para conter a revolta. Ao tentar convencer os fiéis de que as imagens divulgadas apenas mostravam uma carona que deu a uma “serva de Deus”, o pastor ouviu de volta:
“Você tá com ela há três anos!”
A mulher que fez a acusação gritava e exibia um vídeo no celular.
“Aqui está a prova, igreja!”
O clima ficou insustentável e a Polícia Militar foi acionada. A ocorrência ainda está em andamento.
Nos bastidores, membros da igreja relatam que o encontro também serviria como prestação de contas — o que aumentou a tensão. Segundo um dos comentários nas redes sociais, o pastor teria se negado a prestar esclarecimentos sobre movimentações financeiras, gerando revolta imediata entre os presentes.
Do púlpito, o líder religioso apelou pela compreensão dos fiéis:
“Eu tô te pedindo em nome de Jesus, se você teme a Deus, deixa eu falar.”
A tentativa de seguir com o culto não teve sucesso. O público gritou, exigiu provas e pediu que as imagens fossem exibidas no telão.
“A minha palavra basta.”
Em áudio anterior, enviado como convocação para o culto, ele já havia citado que as acusações vinham de um número internacional, afirmando não saber quem estava por trás das publicações:
“Fotos não falam, vídeos não falam. Eu estou falando.”
Ele ainda disse que estaria sendo atacado por pessoas “sem coragem de se apresentar”.
No fim da mensagem, enviada antes do culto deste domingo, ele também afirmou estar em paz com sua consciência e sugeriu que os fiéis refletissem se iriam “julgar ou absolver”. Ao citar o livro de Romanos 8:1, declarou:
“Nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus.”
Apesar da longa tentativa de defesa, o episódio que começou como um pronunciamento virou tumulto. E os vídeos da confusão continuam se espalhando.
